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Cruzeiro com destino a Lisboa desviado para Cádiz. Passageiros terminam viagem de autocarro

1800 passageiros a bordo transportados de Espanha para o Aeroporto de Lisboa de autocarro.
Lusa 15 de Março de 2020 às 12:47
Aeroporto de Lisboa
Aeroporto de Lisboa FOTO: Vasco Neves
Cerca de 1.800 passageiros de um cruzeiro com origem no Brasil fizeram uma escala não prevista no porto de Cadiz, em Espanha, devido à interdição de desembarque em Portugal, terminando de manhã o percurso no Aeroporto de Lisboa por via terrestre.

Contactada pela agência Lusa, fonte da GNR confirmou ter identificado alguns destes autocarros de passageiros, tendo procedido ao seu acompanhamento desde a fronteira de Caia até ao Aeroporto de Lisboa.

Os passageiros viajavam a bordo do cruzeiro "MS Sovereign", operado pela Pullmantur Cruises, do grupo Royal Caribbean International, sendo o seu destino final Lisboa, onde está previsto permanecerem uma semana até ao regresso ao Brasil.

Um operador turístico relatou à Lusa que transportou alguns dos passageiros do cruzeiro do aeroporto até ao hotel onde estava previsto ficarem hospedados e que estes, apesar de viajarem de máscara, estavam pouco informados sobre a situação de emergência na Europa e em Portugal devido à propagação da Covid 19.

Segundo a fonte, os passageiros viajaram de autocarros do porto de Cádiz, tendo permanecido "várias horas na fronteira" à espera de ser autorizada a sua entrada em Portugal e depois fizeram a viagem terrestre até ao Aeroporto de Lisboa.

"No aeroporto, os autocarros deixavam os passageiros na área de desembarque", relatou.

Na sexta-feira, o governo assinou um despacho conjunto que interdita o desembarque de passageiros de navios de cruzeiro em portos nacionais a partir de sábado, com exceção para cidadãos portugueses, devido à pandemia de Covid-19.

"O despacho conjunto interdita o desembarque e licenças para terra de passageiros e tripulações dos navios de cruzeiro nos portos nacionais, exceto a cidadãos nacionais, titulares de autorização de residência em Portugal ou em casos excecionais relacionados com uma situação de saúde, mediante autorização da autoridade de saúde", refere o Ministério da Administração Interna em comunicado.

O despacho foi assinado pelo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, pela ministra da Saúde, Marta Temido, e pelo secretário de estado Adjunto e das Comunicações, Alberto Souto de Miranda.

Esta interdição vai entrar em vigor no sábado e decorre até 09 de abril, podendo ser prorrogada "em função da evolução da situação epidemiológica".

O documento esclarece que os navios de cruzeiro estão autorizados a atracar nos portos nacionais para abastecimento e manutenção.

Este despacho é justificado pelo Governo devido à situação epidemiológica a nível mundial, ao aumento dos casos de infeção em Portugal, com o alargamento progressivo da sua expressão geográfica, à necessidade de conter as possíveis linhas de contágio para controlar a situação e ao facto de "a experiência internacional demonstrar o elevado risco decorrente do desembarque de passageiros e tripulações dos navios de cruzeiro".

Esta decisão já tinha sido anunciada pelo primeiro-ministro, António Costa, na noite de quinta-feira, como uma das medidas de um pacote alargado com o objetivo de travar os casos de infeção em Portugal.

O novo coronavírus foi detetado pela primeira vez em dezembro, na China, e já provocou mais de 5.700 mortos em todo o mundo.

O número de infetados ultrapassa agora os 154 mil, com registo de casos em 139 países e territórios.

A Organização Mundial da Saúde declarou entretanto que o epicentro da pandemia provocada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) se deslocou da China para a Europa, onde se situa o segundo caso mais grave, o da Itália, que anunciou 175 novas mortes e que regista 1.441 vítimas fatais.

Em Portugal, o número de casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus, que causa a doença Covid-19, subiu hoje para 245, mais 76 do que os contabilizados no sábado, e os casos suspeitos são agora 2.271.

Segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS), dos 2.271 casos suspeitos, 281 aguardam resultado laboratorial.

Há ainda 4.592 contactos em vigilância pelas autoridades de saúde, menos do que no sábado (5.011).

ICO (NS/SBR/AJO) // EL

Lusa/Fim

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