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Correio da Manhã

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Hospital de Évora diz que cumpriu missão no surto de Reguengos de Monsaraz após IGAS apontar falhas dos médicos

Conselho de administração defende que deu "a resposta necessária aos doentes" no surto de covid-19.
Lusa 9 de Março de 2021 às 16:51
Hospital de Évora
Hospital de Évora FOTO: Hugo Rainho
O hospital de Évora considerou hoje que "cumpriu plenamente a sua missão" e deu "a resposta necessária aos doentes" no surto de covid-19 no lar de Reguengos de Monsaraz, em junho do ano passado.

A posição do conselho de administração do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE) foi transmitida à agência Lusa por fonte do Gabinete de Comunicação e Marketing, após a divulgação das conclusões de um relatório da Inspeção-Geral de Atividades em Saúde (IGAS).

O surto de covid-19 no Lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva (FMIVPS), em Reguengos de Monsaraz, foi detetado a 18 de junho de 2020 e provocou 18 mortes (16 utentes e uma funcionária da instituição e um homem da comunidade).

Questionada pela Lusa, a fonte do HESE afiançou que "a intervenção do hospital neste surto cumpriu plenamente a sua missão, dando a resposta necessária aos doentes".

A mesma fonte limitou-se a acrescentar que a administração hospitalar desconhece, "para já, o relatório da IGAS".

A Lusa também contactou as administrações das unidades locais de saúde do Baixo Alentejo (ULSBA), Litoral Alentejano (ULSLA) e Norte Alentejano (ULSNA), que indicaram não ter conhecimento oficial do relatório da IGAS e que, eventualmente, só se pronunciarão após a análise do documento.

Uma resposta idêntica foi dada à Lusa pela Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo, através de correio eletrónico.

"A ARS Alentejo informa que não tem conhecimento do relatório da IGAS. No momento [em] que o tiver irá analisá-lo com a devida atenção e, se assim o entender, pronunciar-se-á sobre o mesmo", pode ler-se na resposta.

As conclusões da IGAS, no inquérito ordenado pelo Ministério da Saúde no seguimento do surto no lar da FMIVPS, admitem "responsabilidade deontológica" dos médicos que recusaram visitar a instituição no seguimento de instruções da Ordem dos Médicos e de um sindicato.

Sobre a responsabilidade das administrações e autoridades regionais e locais de saúde, a IGAS conclui que a conduta da ARS do Alentejo "pautou-se pela articulação com todas as entidades envolvidas", mas aponta que no caso da Autoridade de Saúde Regional do Alentejo, para a qual foi recentemente nomeado um "novo titular", a sua "eventual responsabilização disciplinar já se encontra prescrita". Já a autoridade local de saúde teve o comportamento "exigível".

Ao nível das unidades de saúde, a IGAS aponta falhas ao HESE e às unidades locais de saúde (Norte Alentejano, Litoral Alentejano e Baixo Alentejo), mas conclui que "a deficiente colaboração dos estabelecimentos hospitalares envolvidos não implicou aumento de risco ou prejuízo para os utentes do Lar e/ou para terceiros", tendo a ministra Marta Temido recomendado uma maior articulação, "atenta a imperativa necessidade de um melhor trabalho em rede, em semelhantes circunstâncias futuras".

As informações foram divulgadas pela tutela na segunda-feira e os documentos referentes ao processo serão remetidos ao Ministério Público da comarca de Évora, onde decorre um inquérito de natureza criminal, assim como ao Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS).

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