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Correio da Manhã

Sociedade

Daqui a 60 anos seremos apenas 8 milhões em Portugal. Mais de 35% serão idosos

Segundo uma projeção do INE, Portugal vai perder 2,1 milhões de residentes até 2080. No cenário mais pessimista, a queda pode chegar aos 4,2 milhões.
Jornal de Negócios 31 de Março de 2020 às 14:48

Um país com menos pessoas e muito mais envelhecido. É este o cenário expectável para o Portugal de 2080 que, segundo uma projeção do Institut Nacional de Estatística (INE), perderá população residente de forma consistente nos próximos anos e décadas.

De tal forma que, no cenário central do instituto de estatística, a população residente em Portugal diminuirá dos atuais 10,3 milhões para 8,2 milhões em 2080: são menos 2,1 milhões de pessoas em apenas 60 anos. O limiar dos 10 milhões deverá ser quebrado em 2042 (9.978.226) e dos 9 milhões em 2064 (8.949.105).

Além de mais curta, a população residente no país será também muito mais envelhecida. Dos 8,2 milhões de pessoas, o INE estima que 3 milhões serão idosos, o que traduz um aumento face aos atuais 2,2 milhões. Significa isto que, em 60 anos, 36,6% da população residente em Portugal terá 65 anos ou mais.

Simultaneamente, o número de jovens diminuirá de 1,4 milhões para cerca de 1 milhão, pelo que o índice de envelhecimento quase duplicará, passando de 159 para 300 idosos por cada 100 jovens, em resultado do decréscimo da população jovem e do aumento da população idosa.

"Mesmo admitindo aumentos no índice sintético de fecundidade, resulta, ainda assim, uma diminuição do número de nascimentos, motivada pela redução de mulheres em idade fértil, como reflexo de baixos níveis de fecundidade registados em anos anteriores", justifica o INE.

De acordo com a projeção do INE, a região mais envelhecida daqui a 60 anos será a Região Autónoma da Madeira, com 429 idosos por cada 100 jovens. Do lado oposto, o Algarve será a região mais jovem, com 204 idosos por cada 100 jovens.

Esta será, juntamente com a Área Metropolitana de Lisboa, a única exceção à queda da população residente, sendo que, no caso da AML, tornar-se-ia a região mais populosa do país no início da década de 1950, substituindo a região Norte.

O INE acredita que o índice de envelhecimento só tenderá a estabilizar perto de 2050, "quando as gerações nascidas num contexto de níveis de fecundidade abaixo do limiar de substituição das gerações já se encontrarem no grupo etário 65 e mais".

Já a população em idade ativa, com idades compreendidas entres os 15 e os 64 anos, diminuirá de 6,6 para 4,2 milhões de pessoas, pelo que o índice de sustentabilidade potencial (quociente entre o número de pessoas com idades dos 15 aos 64 anos e o número de pessoas com 65 e mais anos) deverá diminuir "de forma acentuada".

Estes números fazem parte do cenário central do INE, que traçou ainda mais três cenários para a evolução da população residente: um cenário baixo, um cenário alto e um cenário sem migrações, com base em diferentes conjugações das hipóteses alternativas de evolução das componentes demográficas.

No cenário baixo, a perda populacional será ainda mais acentuada, podendo a população residente em Portugal atingir 6,1 milhões em 2080. Pelo contrário, no cenário alto a população poderá aumentar para 10,6 milhões em 2080, "sobretudo devido a uma recuperação mais acentuada dos níveis de fecundidade em conjugação com saldos migratórios positivos elevados".

O exercício de Projeções de População Residente 2018-2080 do INE segue o método das componentes por cortes e tem como população de base a estimativa provisória de população residente a 31 de dezembro de 2018.

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