Barra Cofina

Correio da Manhã

Sociedade
6

Dez doentes internados em macas no hospital de Gaia

Ordem dos Enfermeiros afirma que faltam condições que garantam segurança e cuidados de dignidade dos doentes.
2 de Agosto de 2018 às 16:48
Hospital em Vila Nova de Gaia
Cama de hospital
Cama de hospital
Hospital em Vila Nova de Gaia
Cama de hospital
Cama de hospital
Hospital em Vila Nova de Gaia
Cama de hospital
Cama de hospital
A Ordem dos Enfermeiros estima que cerca de dez doentes estejam internados em macas no Serviço de Urgência do Hospital de Vila Nova de Gaia quando, disse esta quinta-feira à Lusa um responsável, "existem camas livres" no mesmo equipamento hospitalar.

"Não faz sentido nenhum que doentes estejam internados em condições não seguras, sem comodidade e sem dignidade, quando existem camas livres no hospital. Achamos que estão a falhar no serviço à população", disse presidente do conselho diretivo da Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros, João Paulo Carvalho.

Já em resposta escrita remetida à agência Lusa, o Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho (CHVNG/E) admite que existem "internamentos inapropriados no Serviço de Urgência" e garante que "neste momento decorre um esforço de organização clínica multidisciplinar que visa eliminar" essa situação.

De acordo com o relato feito pela Ordem dos Enfermeiros/Secção Norte, no dia 25 de julho existiam 14 doentes internados em macas no Serviços de Urgência do CHVNG/E, tendo esta entidade a informação de que na mesma data existiam 50 camas disponíveis no hospital.

"Faltam condições mínimas que garantam segurança e cuidados de dignidade, o que põe em causa o tratamento do doente, mas também o trabalho dos profissionais. Denunciamos o caso quer pelo bem-estar dos doentes, quer porque sabemos que enfermeiros e outros profissionais vivem uma enorme pressão e dificuldade na prestação de cuidados", apontou João Paulo Carvalho.

Depois do relato que remete para o mês passado, a Ordem dos Enfermeiros fez quarta-feira uma visita ao hospital tendo constatado, referiu o responsável, que a "situação continuou" com dez doentes internados em macas e 34 camas vagas no hospital.

"Uma senhora com 92 anos passou sete dias na urgência numa maca onde não é possível prestar cuidados de higiene com qualidade, não é possível mobilizar os doentes com segurança", exemplificou o presidente do conselho da Secção Regional do Norte.

Da visita realizada esta semana surgirá um relatório a enviar aos serviços centrais da Ordem dos Enfermeiros, administração do CHVNG/E, estando a secção regional a "ponderar escrever ao Ministério da Saúde".

Na resposta do CHVNG/E lê-se que "os tempos de resposta aos diversos tipos de doentes, mesmo nos casos de inapropriação, situam-se dentro do clinicamente recomendado".

Os responsáveis deste centro hospitalar acrescentam que "não houve redução de camas de internamento verificando-se que, a exemplo dos demais hospitais, existem camas por utilizar nos diversos serviços", justificando que "os problemas de dotação de pessoal dificultam este esforço [de organização clínica multidisciplinar]".

Antes, o CHVNG/E descreve que está em curso um projeto de reorganização e melhoria de resposta aos doentes do Serviço de Urgência, apontando que está a ser estudada a gestão de camas e planeamento das altas nos internamentos e que está prevista uma nova urgência com muito mais área e uma estrutura adaptada à atual tecnologia médica.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)