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Correio da Manhã

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DGS admite testes em massa ao coronavírus se mercado permitir e houver evidência cientifica

Hipótese de uma mudança de estratégia, como a praticada noutros países, foi hoje admitida pela diretora-geral da Saúde.
Lusa 19 de Março de 2020 às 16:51
Teste ao coronavírus
Teste ao coronavírus FOTO: Getty Images
A prioridade na realização de testes de despiste de Covid-19 mantém-se para pessoas sintomáticas, mas Portugal poderá vir a adotar uma estratégia de testes em massa se as condições de mercado permitirem e houver evidência científica favorável.

A hipótese de uma mudança de estratégia, passando para testes em massa na população, como praticado noutros países, foi hoje admitida pela diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, em conferência de imprensa em Lisboa, na qual disse que as autoridades têm essa estratégia "em mente".

No entanto, ressalvou que é preciso ter em conta as condições de mercado, percebendo se há os materiais necessários disponíveis para alargar os testes de forma generalizada, e se aquilo que se está a aprender com outros países aconselha a essa prática.

Para já, frisou Graça Freitas, a prioridade mantém-se nas pessoas sintomáticas.

"Sempre fará o teste aquele que mais necessite. Se pudermos alargar, alargaremos", desde que haja evidências de que uma triagem mais alargada tenha resultados.

"Temos aqui a questão sempre da disponibilidade dos testes e essa é uma realidade à qual não podemos fugir. Portanto, a nossa prioridade é testar nesta fase pessoas sintomáticas. Se for necessário, ainda decidiremos quem são as mais prioritárias. E depois poderemos ir para a fase de testar a população em geral. Pelo menos aquela em maior risco ou exposta", disse Graça Freitas.

A falta de reagentes no mercado necessários à realização dos testes é uma das questões que pode obrigar a restringir a sua realização apenas aos grupos de risco, mas a diretora-geral da Saúde sublinhou que a "a estratégia é mais alargada ou menos alargada de acordo com critérios de risco".

Questionada sobre apenas haver três pessoas curadas até ao momento em Portugal, Graça Freitas explicou que a Covid- 19, "ao contrário da gripe, tem um período de evolução longo".

"Temos o primeiro caso diagnosticado a dia 02, só a partir de agora é que começaremos a ter altas e pessoas recuperadas. O período que se estima em pessoas internadas para darem dois testes negativos é de 15 dias, pelo menos, e portanto ainda é muito cedo para começarmos a ter as pessoas com os dois testes negativos, que é a prova de que estão recuperadas", disse.

Sobre um documento divulgado pelo Hospital da Luz de Setúbal que apontava a existência de milhares de pessoas infetadas no país, Graça Freitas disse que "pode acontecer", até porque há doentes que não chegam a manifestar sintomas e só testes posteriores poderão revelar se os assintomáticos tiveram em algum momento contacto com o vírus.

A confirmar-se esse cenário, isso significaria "que muitas pessoas já passaram por esta fase sem ter tido consequências da doença, o que em termos de imunidade para a população em geral é bom", sublinhou Graça Freitas, acrescentando que ter a comunidade imunizada é a "vacina natural".

Sobre os dados hoje avançados que indicam que por cada 100 casos em Itália, Portugal terá sete, a diretora-geral da Saúde referiu que são projeções para os dias e semanas seguintes e que são apenas "números indicativos" e "corrigidos todos os dias com os dados reais".

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, infetou mais de 220 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 8.900 morreram.

Das pessoas infetadas, mais de 85.500 recuperaram da doença.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) elevou hoje o número de casos confirmados de infeção para 785, mais 143 do que na quarta-feira. O número de mortos no país subiu para três.

Dos casos confirmados, 696 estão a recuperar em casa e 89 estão internados, 20 dos quais em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI).

Das pessoas infetadas em Portugal, três recuperaram.

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