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Correio da Manhã

Sociedade
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"Diabéticos souberam proteger-se da Covid-19", diz presidente da Associação dos Diabéticos Portugueses

Redução de consultas nos serviços de saúde levou a diminuição de diagnósticos e de tratamentos.
Pedro Rodrigues Santos 4 de Setembro de 2020 às 17:52
Todos os anos, são diagnosticados 60 mil casos de diabetes na população portuguesa
Todos os anos, são diagnosticados 60 mil casos de diabetes na população portuguesa FOTO: Getty Images

À semelhança do que sucedeu nos grupos com saúde mais débil, a crise pandémica do coronavírus no nosso país teve um forte impacto nos pacientes diabéticos.

Situação nada tranquilizante quando se sabe que a incidência da diabetes na população portuguesa, nos últimos anos, tem sido em redor dos 60 mil novos casos anuais, calculada pelos médicos-sentinela do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) e pelos registos do Sistema Nacional de Saúde.

Apesar de todos os riscos envolvidos, "as pessoas com diabetes souberam proteger-se", afirma o presidente da Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP).

O doutor José Manuel Boavida toma como exemplo um estudo recentemente realizado pela instituição sobre o impacto da pandemia nesses pacientes. "Do ponto de vista individual sabemos que muitas pessoas cuidaram-se melhor, quer na alimentação, quer no controlo da diabetes". Quanto à atividade física, essencial para a sua boa saúde, houve maiores dificuldades: "as pessoas esquecem-se que podem fazer exercícios simples em casa…".

Resposta insuficiente dos serviços de saúde

O presidente da APDP mostra-se, no entanto, crítico em relação à maneira como os serviços de saúde responderam à pandemia e, particularmente, em relação à população diabética, embora a confiança esteja a ser retomada.

"Com a diminuição de consultas", sublinha, "houve menos pedidos de análises, logo, menos diagnósticos de diabetes".

Houve também mais amputações e mais insuficientes renais, e menos consultas de oftalmologia e de rastreios aos olhos, com atrasos nos tratamentos e nas cirurgias.

Apesar de todas estas contingências, "muitos médicos não largaram as pessoas que acompanham, com telefonemas e consultas presenciais" à medida das necessidades.

E, pela linha telefónica gratuita de apoio aos diabéticos, criada no final de março para enfrentar a pandemia (irá manter-se no futuro), a APDP conseguiu esclarecer dúvidas, dar conselhos e orientações, e encaminhar situações de emergência por falta de consultas e de medicamentos

"Os serviços de saúde não podem esperar pelas pessoas", afirma em jeito de alerta. "Devem ser eles a contactar quem não teve consultas, exames ou tratamentos". "Queremos serviços pró-ativos a servir as populações necessitadas. E as pessoas com diabetes estão nessa linha".

Regresso à escola e ao trabalho implica riscos

Tendo em conta as milhares de pessoas diagnosticadas todos os anos com diabetes no nosso país, é essencial haver números certos.

"Quanto à diabetes do tipo 1, entregámos em finais de julho uma petição na Assembleia da República, para se fazer um registo nacional e, de vez podermos, responder a essa situação", informa o presidente da APDP.

"O INSA deveria assumir essa responsabilidade, com a colaboração da Direção Geral de Saúde e de todos os centros que observam pessoas com diabetes do tipo 1".

Sem números absolutos por parte dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), que espera aceder-lhes até ao final deste ano, a APDP tem realizado rastreios em Lisboa e Cascais.

Prepara-se ainda para participar numa iniciativa de apoio às pessoas mais necessitadas que recorrem aos bens alimentares entregues pelos serviços sociais da câmara de Lisboa.

O regresso ao trabalho e às escolas, após as férias de verão de milhões de portugueses, coloca também maiores desafios, estando os pacientes diabéticos no centro de todas as atenções, como todas as pessoas mais vulneráveis à Covid-19.

"Temos de exigir condições da maior segurança possível nos transportes e no trabalho", sem esquecer medidas de proteção com distâncias de um a dois metros entre as pessoas, a lavagem frequente das mãos, e o uso de máscaras faciais.

Se esses pressupostos não se conseguirem aplicar, entra em campo o gabinete de medicina do trabalho das empresas, "para a possível mudança do posto de trabalho" ou mesmo trabalhar em regime de teletrabalho.

Mais informação sobre a pandemia no site dedicado ao coronavírus - Mapa da situação em Portugal e no Mundo. - Saiba como colocar e retirar máscara e luvas - Aprenda a fazer a sua máscara em casa - Cuidados a ter quando recebe uma encomenda em casa. - Dúvidas sobre coronavírus respondidas por um médico Em caso de ter sintomas, ligue 808 24 24 24
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