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Correio da Manhã

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Discotecas históricas de Lisboa Jamaica, Tokyo e Europa mudam-se para o Cais do Gás

Três clubes, fechados desde março de 2020 devido à pandemia de covid-19, mudam-se para o quarteirão atrás da estação de comboios do Cais do Sodré.
Lusa 26 de Fevereiro de 2021 às 19:58
Bares do Cais do Sodré
Cais do Sodré, em Lisboa
Bares do Cais do Sodré
Cais do Sodré, em Lisboa
Bares do Cais do Sodré
Cais do Sodré, em Lisboa
Os históricos clubes noturnos lisboetas Jamaica, Tokyo e Europa vão deixar a Rua Nova do Carvalho, no Cais do Sodré, e mudar-se para o ribeirinho Cais do Gás estando a reabertura prevista para o final de 2021.

Da chamada rua Cor-de-Rosa, os três clubes, fechados desde março de 2020 devido à pandemia de covid-19, mudam-se para o quarteirão atrás da estação de comboios do Cais do Sodré e ao lado da estação fluvial, recuperando armazéns frente ao Tejo e reativando o universo notívago de Lisboa.

O anúncio foi hoje feito através de comunicado por parte das três míticas casas da noite lisboeta, que reconhecem que vão ter "espaços maiores, melhores e mais seguros", garantindo ainda a "personalidade musical única de cada" espaço.

"A era do Cais do Gás sucede à do Sodré. O perfil dos clubes continuará sólido: os clássicos da 'pop-rock' no Jamaica, concertos no Tokyo e a música eletrónica no Europa. A inauguração é no final do ano", pode ler-se no documento.

Termina assim, no ano em que o Jamaica faz 50 anos, um longo processo que teve início em outubro de 2015, depois de uma denúncia do contrato de arrendamento por parte dos senhorios.

Os espaços continuaram, apesar de tudo, a funcionar até março do ano passado, depois em dezembro de 2018 terem tido a garantia de que teriam um novo espaço disponibilizado pela Câmara Municipal de Lisboa (CML).

Hoje foi então conhecido que o processo resulta de um protocolo com a autarquia proprietária dos armazéns, que se localizam em terrenos da Administração do Porto de Lisboa.

Os projetos de arquitetura e as obras são custeados exclusivamente pelos três clubes e, de acordo com o documento, a este investimento na recuperação de propriedade camarária acresce o pagamento à CML de uma renda.

"A autarquia beneficia, em valor patrimonial e em verba, de uma cifra de 2,3 milhões de euros", pode ler-se na mesma nota.

As obras arrancam em meados de março, estando previsto terminar em novembro deste ano. A área bruta é de 675 metros quadrados, dividida em partes iguais (225) pelos clubes. As lotações máximas permitem 309 clientes no Jamaica, 235 no Tokyo e 322 no Europa.

A inauguração está prevista para os últimos dois meses do ano, em data dependente das regras de salvaguarda da saúde pública.

"Tudo isto é positivo: coloca-nos na área designada pela câmara para a animação noturna. Temos pena de deixar aqueles outros espaços, porque fazem parte da história de Lisboa, mas a história vai continuar no Cais do Gás e estamos contentes por isso", afirma Fernando Neto Pereira, sócio das estruturas donas do Tokyo e Jamaica e arquiteto que assina os projetos.

Por seu turno, Pedro Vieira, co-proprietário do Europa, com Paulo do Carmo, sublinha a outra vantagem da nova localização: "aproxima mais as pessoas do rio e isso é uma coisa boa".

"Os três clubes completam-se bem: conseguimos ser um todo que é muito mais que a soma das partes. Somos uma oferta consistente e forte", frisou.

Os espaços vão enriquecer o Cais do Gás, onde já existem o B.Leza, desde 2012, e o Titanic Sur Mer, desde 2015, não esquecendo o pioneiro Bar do Rio, na década de 90.

O Tokyo e o Jamaica vão ter entrada pela Rua da Cintura do Porto de Lisboa através de um pátio murado ao ar livre. Esta área dá admissão separada aos espaços interiores.

O pátio funciona também como 'lounge' e serve iniciativas várias, culturais e promocionais.

O acesso ao Europa faz-se pela via ao lado do parque de estacionamento da estação fluvial, enquanto na fachada frente ao Tejo funcionará, em períodos específicos, uma esplanada.

De acordo com os responsáveis, o mítico Jamaica continuará a ser o lugar por excelência para dançar ao som dos grandes temas da 'pop', do 'rock' e do 'reggae', com todos os nomes fortes da música das décadas de 60-90.

O acréscimo da lotação é significativo, mas a área acessível é adaptável para que, nos dias de semana com menor afluência, continue a ser o espaço acolhedor a que todos estão habituados, explica o comunicado.

O palco do Tokyo, "maior, expansível e tecnicamente dotado do melhor equipamento de som e luz", irá garantir um dos "mais impecáveis espaços de música ao vivo" em Liboa, com uma plataforma pouco elevada e a acústica estudada de forma a conservar "a intimidade do antigo palco com que público e bandas vibravam".

A programação irá continuar a destacar músicos jovens, oferecendo uma base única para se lançarem junto da audiência da cidade, abrindo a pista de dança após os concertos.

Quanto ao Europa, seguirá a "missão de diversidade enquanto um dos clubes 'underground' mais respeitados do continente", com a pista de dança também a aumentar, bem como o 'lounge'.

O prédio onde estes espaços se encontram, na Rua Nova do Carvalho (a chamada Rua Cor de Rosa) foi vendido pelos cerca de 30 proprietários a uma imobiliária, que, por sua vez, o revendeu a um grupo hoteleiro francês.

Os bares e discotecas encontram-se encerrados desde março de 2020, alguns dias antes de o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ter decretado o estado de emergência devido à pandemia de covid-19.

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