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Correio da Manhã

Sociedade
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"É difícil definir um caso como curado": Pneumologista sobre evolução da pandemia de coronavírus

São necessários dois testes ou sete dias sem sintomas para estar oficialmente a salvo.
Vanessa Fidalgo 2 de Abril de 2020 às 08:32
José Reis Ferreira
Branca e Muriel no seu jardim
José Reis Ferreira
Branca e Muriel no seu jardim
José Reis Ferreira
Branca e Muriel no seu jardim
Araridade dos testes e o tempo que é preciso esperar para confirmar o desaparecimento dos sintomas da Covid-19 justificam os baixos números de doentes curados, segundo o pneumologista José Reis Ferreira.

CM – Em Portugal há ainda poucas pessoas curadas do vírus. Porquê?
- Compreendo este total, ainda muito exíguo, pela dificuldade em definir um caso de Covid-19 como curado. Segundo a Organização Mundial de Saúde e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, é necessária a completa resolução da febre, sem recurso a medicação, além do desaparecimento dos sintomas respiratórios e dois resultados negativos dos testes para o vírus com mais de 24 horas de intervalo entre si. Sabendo que temos poucos testes para a fase do rastreio, ainda se aceita mais a raridade da confirmação da cura, no País.

- Como se processam?
- Estes testes devem ser realizados ainda com o doente em isolamento (hospitalar ou domiciliário), por deslocação de um profissional de saúde, que efetua o teste no local e que conduz o material recolhido ao laboratório, aguardando-se pelos resultados, que podem ser libertados após um dia (em regra entre 24 e 72 horas). Caso a cura seja declarada sem acesso a estes testes temos de esperar até um mínimo de sete dias desde que os sintomas apareceram e pelo menos três dias desde o desaparecimento de queixas, sem recurso a medicamentos.

- Até à confirmação que cautelas os doentes devem ter?
- Devem continuar em isolamento, não devendo cuidar de outras pessoas e devendo receber à porta do local onde se encontrem tudo quanto precisem, para o seu sustento e cuidados pessoais.

O MEU CASO: Muriel e Branca, crianças em quarentena 
"Definimos regras logo no início"
Muriel e Branca têm sete e cinco anos, respetivamente, e estão a passar a quarentena com os pais, na Aroeira, já lá vão três semanas. Lá em casa mora ainda o irmão mais novo, Xavier, de cinco meses, que até ver passa grande parte do dia a comer e a dormir.

"Com a Muriel e a Branca, definimos algumas regras logo no início: que tinha de haver um tempo para tudo, desde as atividades da escola até às brincadeiras no jardim, que felizmente tem ajudado a que se entretenham bastante e apanhem ar livre em segurança", conta Liliana Martins, a mãe, professora de ioga. Por isso, não admira que, na atual conjuntura, só os dias de chuva façam diferença.

"Quando não brincam lá fora, aí sim: nota-se que precisam de queimar mais energias. Mas de resto, cá em casa, já estamos habituados a gerir três filhos e as nossas profissões", conta. Profissões que agora são exercidas de uma forma totalmente nova. "Preparo as minhas aulas em casa e envio para as pessoas, que as recebem pela internet para executar em casa. Já o meu marido está a dar consultas de medicinas naturais e alternativas também a partir de casa e até tem sido muito procurado por quem quer defender-se melhor do vírus", revela.

Os trabalhos manuais, como os animais de papel em origami, e também os animais de pelo e osso (a família tem vários gatos) ajudam a passar o resto do tempo. Só Xavier ainda não deu por nada: "Nunca foi à creche, portanto para ele está tudo perfeitamente normal! Quanto muito, nota que agora passamos todos muito mais tempo em casa..."

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