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Correio da Manhã

Sociedade
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Especialista em medicina tradicional chinesa sobre coronavírus: "Dupla abordagem foi útil na China"

Pacientes e profissionais de saúde poderiam beneficiar com técnicas de medicina alternativas.
Vanessa Fidalgo 27 de Março de 2020 às 08:57
João Catarino
João Catarino FOTO: Direitos Reservados

João Catarino, especialista em Medicina Tradicional Chinesa (MTC), defende que esta pode contribuir para a diminuição da carga viral e para reforçar o sistema imunológico no combate à Covid-19.

CM - Como é que a MTC pode ajudar a combater o novo  coronavírus?
João Catarino - A MTC engloba a Acupuntura, a Fitoterapia Chinesa, a Moxabustão, o Tui Ná, o Tai Chi e o Qi Gong, e utiliza o potencial curativo do organismo (ou seja, do sistema imunitário) para tratar as patologias.

- Como atuam?
- A Acupuntura é útil para mitigar a sintomatologia, assim como potenciar a resposta  orgânica à medicação usada.  A Fitoterapia Chinesa pode contribuir para a diminuição da carga viral, dado que na sua farmacopeia existem diversas plantas com propriedades antivirais. A Moxabustão utiliza o calor gerado pela queima de artemísia (planta com reconhecidas propriedades antimalárica) para estimular a produção de  leucócitos. Já a Massagem Tui Ná combate a fadiga, e o Tai Chi e o Qi Gong estimulam o sistema imunitário, tranquilizam a mente e equilibram as emoções.

-Não serve apenas para quem está doente...
- No contexto atual, a MTC devia ser utilizada para recuperar os profissionais que estão na linha da frente, esgotados física e psicologicamente.

- Obtiveram-se bons resultados na China?
- Segundo as entidades oficiais, pacientes que foram tratados com MTC em concomitância com os tratamentos convencionais para a Covid-19 (dupla abordagem) recuperaram mais depressa, tiveram sintomas mais ligeiros e necessitaram de menos medicação convencional.

O MEU CASO
Sara Ribeiro teve de repetir o teste
"Há dez dias a viver na incerteza"
Sara Ribeiro está há dez dias à espera do resultado do teste que realizou à Covid-19 no Hospital de São João, no Porto. Doente oncológica, encontra-se em isolamento, cumprindo na sua casa em Ermesinde todas as recomendações da médica que lhe deu alta no hospital. "É muito difícil viver nesta incerteza, ainda por cima quando vivo na mesma casa que o meu marido e as minhas três filhas. Tenho medo de poder infetá-los", confessa.

Sara começou a sentir-se doente na segunda semana de março. No dia 17, esperou três horas para que a atendessem na linha SNS 24. Finalmente, através da linha, foi encaminhada para o Hospital de São João. "Como não havia ambulâncias disponíveis foi o meu marido quem me levou de carro", conta. O primeiro teste que realizou no hospital foi "inconclusivo". Disseram-lhe que teria de realizar um segundo teste, pelo qual esperou 12 horas nas Urgências.

Ao fim desse tempo, uma médica veio ter com Sara, disse-lhe que o resultado poderia demorar até 48 horas e mandou-a para casa. "Deu-me todas as recomendações, que sigo à risca. Explicou-me como desinfetar as coisas, a medicação que poderia tomar", recorda. Só não lhe disse que dez dias depois ainda não saberia o resultado.

Sara vive como se tivesse infetada. Está em teletrabalho, em completo isolamento, para "não pôr mais ninguém em risco". Mas nem por isso deixa de se sentir "abandonada" pelas autoridades de saúde. "E como eu, deverá haver centenas de pessoas a viver na incerteza...", lamenta a mulher.

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