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Correio da Manhã

Sociedade
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Especialistas ajudam abutre-do-egito a reencontrar o caminho da primeira migração

Animal foi encontrado "enfraquecido e desorientado" por populares, no concelho de Santa Maria da Feira.
Lusa 25 de Novembro de 2019 às 12:58
Abutre-do-egito
Abutres-do-egito
Abutre-do-egito
Abutres-do-egito
Abutre-do-egito
Abutres-do-egito
Especialistas portugueses ajudaram na recuperação de um jovem abutre-do-egito, uma ave de uma espécie protegida que se perdeu na primeira migração e foi libertada em território espanhol, disse esta segunda-feira a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD).

"Se a soltássemos no norte de Portugal ela não sobreviria, já que esta espécie costuma usar vários países nos seus voos migratórios conforme o clima e as necessidades exploratórias de alimento", afirmou o professor da UTAD Celso Santos.

O especialista juntou-se à equipa do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) que conduziu a ave até ao sul de Espanha, onde se procedeu à sua libertação com a colaboração e participação de membros do governo regional e de representantes de organizações não governamentais nacionais e espanholas afetas à conservação da natureza.

Segundo sublinhou a UTAD, em comunicado, o abutre-do-egito é uma espécie com estatuto de conservação em perigo.

O jovem abutre foi encontrado por populares neste verão, no concelho de Santa Maria da Feira, distrito de Aveiro, "enfraquecido e desorientado".

"Ainda muito jovem, perdera-se ao iniciar a sua primeira migração, desviando-se dos corredores migratórios, parando numa zona onde não havia alimento e onde ficou debilitado e incapaz de prosseguir", contou a academia transmontana.

A ave foi entregue ao Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) e depois ao Parque Biológico de Gaia (PBG), onde recebeu os primeiros cuidados e permaneceu até estar mais estável.

Foi, depois, transferida para o Centro de Recuperação de Animais Selvagens (CRAS) - Hospital Veterinário da UTAD, onde foi tratada e reabilitada.

A academia transmontana referiu que o "jovem abutre teve dois meses de tratamento, necessários para recuperar peso e massa muscular, impermeabilizar as penas e ganhar capacidade de voo em treino nos túneis do Hospital Veterinário".

A ave foi devolvida à natureza depois dos especialistas da UTAD a considerarem apta e saudável.

Em colaboração com o PBG e o ICNF, e em articulação com as entidades espanholas (Consejera para la Transición Ecológica y Sostenibilidad da Junta da Extremadura), foi decidido transportar o abutre para um território mais quente, nomeadamente Acehuche, na zona de Cáceres, do sul de Espanha, a "única área de inverno propícia à sobrevivência desta espécie na Europa".

De acordo com a UTAD, antes do seu lançamento, o abutre foi equipado com um GPS para monitorar os seus movimentos, garantir que seguia um destino adequado e estudar o comportamento desta espécie.

A academia adiantou que, da informação entretanto recolhida, verificou-se que a ave, contrariamente ao que era esperado, não se acomodou no local de invernada estabelecido e viajou para o Norte de África.

A UTAD referiu que, "num dos seus trajetos, fez, em duas horas e meia, mais de 200 quilómetros, sendo localizada já em Argel, o que significa ter conseguido uma velocidade média de 80 quilómetros por hora".

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