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Correio da Manhã

Sociedade
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Estado garante solução a idosos de lar em Lisboa que vai encerrar por falta de recursos

Lar que serve 160 utentes encerra no final de agosto.
Ana Maria Ribeiro 13 de Agosto de 2020 às 08:43
Lar Mansão de Santa Maria de Marvila, em Lisboa
Lar Mansão de Santa Maria de Marvila, em Lisboa FOTO: Vitor Mota
O Instituto da Segurança Social (ISS) garante estar a trabalhar para encontrar soluções para os 160 utentes e 80 funcionários do lar Mansão de Santa Maria de Marvila, em Lisboa. A instituição, gerida pela Fundação D. Pedro IV, vai ser encerrada no final do mês por decisão do Governo, após ter anunciado o despedimento dos colaboradores, por falta de recursos.

“Encaramos o processo com muita pena. São 16 anos de trabalho e 160 utentes – 140 idosos e 20 deficientes profundos – que ficam sem saber para onde ir”, diz Vasco Canto Moniz, presidente do Conselho de Administração, que contou ao CM que a instituição, que gere desde 2004, não consegue equilibrar as contas com o atual acordo estabelecido com o ISS.

“O nosso contrato inicial foi alterado em 2014, quando, por causa da intervenção da troika, perdemos 700 mil euros de apoio do Estado por ano. É uma brutalidade”, explica, adiantando que, para manter o lar a funcionar precisaria de cerca de dois milhões de euros por ano.

A essa verba acresce, também, um “valor estimado entre seis e oito milhões de euros” para obras profundas no edifício, datado do século XVII e que é património nacional. Em 2009, a Deco – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor fez uma avaliação a vários lares e considerou que a Mansão de Santa Maria de Marvila devia ser encerrada, por não reunir as condições necessárias para a sua função. Entretanto, a fundação garante ter gastado dois milhões em obras e está a reclamá-los ao Estado em tribunal.
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