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Correio da Manhã

Sociedade

Ex-ministro angolano lesado em 1 milhão de euros por Rui Verde

O antigo ministro da Educação angolano António Burity da Silva revelou esta terça-feira em tribunal que foi lesado em cerca de um milhão de euros pelo ex-vice-reitor da Universidade Independente (UnI) Rui Verde, que lhe prometera aplicações de alta rentabilidade.

10 de Janeiro de 2012 às 18:26
O antigo ministro da Educação angolano António Burity da Silva revelou esta terça-feira em tribunal que foi lesado em cerca de um milhão de euros pelo ex-vice-reitor da Universidade Independente (UnI) Rui Verde
O antigo ministro da Educação angolano António Burity da Silva revelou esta terça-feira em tribunal que foi lesado em cerca de um milhão de euros pelo ex-vice-reitor da Universidade Independente (UnI) Rui Verde FOTO: d.r.

Arrolado como testemunha de acusação pelo Ministério Público, António Burity da Silva deslocou-se propositalmente de Angola para depor no julgamento que tem como única arguida Isabel Magalhães, ex-mulher de Rui Verde.         

António Burity da Silva, 56 anos, mentor do projecto académico e universitário que levou à criação de um pólo da UNI em Luanda (denominado UNIA) e que actualmente já se alargou ao Lubango, garantiu perante o colectivo de juízes que Rui Verde lesou também a DEA (Desenvolvimento Educacional de Angola) em cerca de um milhão de euros, dinheiro que havia sido destinado à SIDES, sociedade detentora da UnI, em Lisboa.         

O antigo representante da UNESCO em Angola, diplomata e ex-ministro da Educação de Angola confirmou ainda que os 800 mil euros de dívida à construtora portuguesa ‘Teixeira Duarte’, que edificou a Uni em Luanda, não foram pagos pelas SIDES, nem por Rui Verde.         

Quanto a Amadeu Lima de Carvalho, que é arguido juntamente com Rui Verde e com o antigo reitor da UNI Luiz Arouca no processo principal da Independente, o antigo ministro da Educação angolano revelou que lhe foram emprestados 470 mil euros para pagar a hipoteca de um imóvel, mas que o não retorno dessa verba implicou a perda de 10 por cento que Amadeu Lima de Carvalho tinha na DEA.         

Relativamente ao facto de ele e outros responsáveis angolanos terem sido lesados no projecto universitário com Rui Verde e Amadeu Lima de Carvalho, a testemunha desabafou: "Somos muito ingénuos. Acreditámos muito nas pessoas e pensámos que os documentos tinham valor".         

António Burity da Silva mencionou que chegou a receber uma garantia bancária de dois milhões de euros de Rui Verde que, mais tarde, veio a saber junto do Millenium/BCP ser falsa. 

"Hoje reconheço que fomos muito ingénuos. Pensávamos que estávamos a tratar com pessoas universitários e intelectuais e com pessoas de nível", relatou em tribunal.

António Burity da Silva explicou que ele e outras pessoas confiaram em Rui Verde porque se tratava de um professor universitário, que já tinha dado aulas em Londres e que, além disso, era casado com a juíza Isabel Magalhães, agora no banco dos réus.         

Mostrou-se também surpreendido com o facto de o caso UnI ter chegado  "até aqui" (fase de julgamento), porque, recordou, houve uma altura em que  os tribunais portugueses rejeitavam todas as acções dos angolanos e davam  provimento imediato às acções interpostas por Rui Verde.         

Maria Isabel Pinto Magalhães, actualmente divorciada de Rui Verde, está acusada de um crime de branqueamento de capitais e dois crimes de falsificação de documentos, num caso relacionado com a dissipação do património que o casal adquiriu com dinheiro subtraído à UnI, entretanto extinta.         

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