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Correio da Manhã

Sociedade
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Gravuras de Foz Côa atraíram mais de 100 mil visitas em seis meses

Maior museu ao ar livre do paleolítico no Mundo, o Vale do Coa apresenta mais de mil rochas com manifestações rupestre.
João Saramago e Tânia Rei 31 de Julho de 2020 às 10:22
Secretário-geral das  Nações Unidas, António Guterres,  foi ontem homenageado no Museu do Coa
Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, foi ontem homenageado no Museu do Coa FOTO: Lusa
São 25 anos a preservar um património cujos primeiros traços de representação de animais datam de há 25 mil anos. As gravuras rupestres, em Vila Nova de Foz Coa, atraíram nos primeiros seis meses do ano mais de cem mil visitantes. Aos 6066 que visitaram o Museu do Coa há a acrescentar 2045 que viram o Parque Arqueológico do Vale do Coa e mais 102 601 que participaram em ações diversas como exposições temporárias.

25 anos depois da decisão de cancelar a construção da barragem do Baixo Coa, obra que submergia as gravuras, o secretário-geral das Nações Unidas e antigo primeiro-ministro António Guterres foi esta quinta-feira homenageado no Museu do Coa. "É um momento extremamente agradável, sinto-me humilde porque acho que o que se fez é exatamente o que devia ser feito. Acho que não mereço ser homenageado por isso, mas, ao mesmo tempo (estou) satisfeito com esta realidade magnífica que é o Vale do Coa", referiu António Guterres na cerimónia de descerramento da placa de xisto com o seu nome e perfil, na entrada do auditório do museu, criado há uma década e que passou a ter o seu nome.

O Vale do Coa apresenta mais de mil rochas com manifestações rupestres, identificadas em mais de 80 sítios distintos, ao longo de 17 quilómetros. Monumento nacional, o Vale do Coa é o maior museu ao ar livre do Paleolítico de todo o Mundo. A importância de tais achados levou a um rápido reconhecimento da UNESCO, em considerá-los Património Cultural da Humanidade.

A arte produzida pelo homem nómada e que ainda não conhecia a agricultura pode ser visitada através dos Serviços Educativos da Fundação Coa Parque, que desenvolvem diferentes atividade.

"As gravuras não sabem nadar!" afundou barragem
A ameaça de a barragem anular uma das mais expressivas manifestações no Mundo das primeiras memórias gráficas da Humanidade provocou uma outra manifestação: em 1995, alunos gritavam as palavras de ordem "As gravuras não sabem nadar!". Também o Instituto Português do Património Arquitetónico e Arqueológico chumbou a barragem.
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