Barra Cofina

Correio da Manhã

Sociedade
1

Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade

Numa cidade como Lisboa, a rebentar pelas costuras, ninguém imaginaria encontrar um alfacinha a arregaçar as mangas e a colher umas batatas.
Beatriz Garcia e Edgar Nascimento 9 de Julho de 2018 às 20:02
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade
Hortas urbanas: ‘viver’ o campo na cidade

Numa cidade como Lisboa, a rebentar pelas costuras, com prédios em cada esquina, ninguém imaginaria encontrar um alfacinha a arregaçar as mangas e a colher umas batatas. É nas Portas de Benfica, entre a Rua Hermínio da Palma Inácio e as traseiras de uma fila de prédios, que existe um amplo terreno onde se encontram várias hortas urbanas, um conceito que tem vindo a crescer em Lisboa.

É quase hora de almoço e são poucos os hortelãos que se dedicam ao ofício. Florinda Madalena mora em Benfica e já está a colher o que semeou. "O melhor tempo que passo é aqui", diz a mulher de 54 anos, que veio de Sabugal, distrito de Guarda. Recorda o tempo em que observava a mãe a trabalhar na terra, para sustentar a família. A vida campestre que Florinda viveu ao longo da infância permitiu que adquirisse o gosto pela agricultura, mas também a aperfeiçoar a arte de cultivar.

"Faço tudo sozinha. Aqui ninguém mexe na terra", realça. Desde a depressão que teve há dois anos que Florinda não consegue estar sozinha. Como o marido é sargento da Guarda Nacional Republicana e passa muito tempo fora de casa, a doméstica distrai-se com a horta, e afirma que o trabalho agrícola "não é por necessidade, é por prazer".

Florinda diz que regressa aos tempos de criança no Sabugal, enquanto prepara o solo para produzir as alfaces, os tomates, o feijão, ou as abóboras. "Gosto imenso disto. Às vezes o meu marido ralha comigo porque diz que eu só penso na horta", confessa.  A maioria dos vegetais que produz é para consumo próprio. No entanto, é costume vender os manjericos e alguns alimentos a pessoas conhecidas. "As minhas amigas vêm cá muitas vezes. Gostam muito do tomate, do pimento, da cebola. Não tem nada a haver com os da praça.", garante a mulher.

A água para a rega das culturas vem de um poço, e é bombardeada através de um motor elétrico. Tal como Florinda, os hortelãos com terrenos privados, outros arrendados à Câmara Municipal de Lisboa, recorrem a vários poços de água que se encontram na extensa área, sendo que há um que é comum a todos. Florinda tem a horta há 3 anos e paga anualmente ao Município de Lisboa uma renda superior a 100 euros. Apesar de a produção em pequena escala ajudar a garantir a autossuficiência dos hortelãos que ali trabalham, a verdade é que nem sempre o que é semeado é colhido. Um dos agricultores confessou que este ano a chuva e as pragas de ratazanas, que são frequentes, danificaram os produtos hortícolas.

É possível visitar outra horta urbana não muito longe dali, no Parque Hortícola da Quinta da Granja, em junto ao Centro Comercial Colombo. É um terreno que pertence à autarquia de Lisboa, onde os hortelãos também usufruem dos bens que a natureza oferece ao Homem. A água para a rega vem de um poço e de uma mina de água. Tal como Florinda, as pessoas que trabalham ali na terra fazem-no por gosto.

Sem esquecer as raízes da província e a forte relação com o campo, há um hortelão que não dispensa aquela atividade nem os alimentos que cultiva: as batatas, as couves, as alfaces e as framboesas; o sabor a nostalgia, que nenhum produto do supermercado tem.

Ver comentários