Barra Cofina

Correio da Manhã

Sociedade
2

Igreja esclarece Rússia no Segredo de Fátima

Santuário pede cuidado com "visão ideológica" da mensagem de Fátima. Papa Francisco descreve-se como um “bispo vestido de branco”.
João Saramago 13 de Maio de 2022 às 21:17
Padre Carlos Cabecinhas é reitor do Santuário de Fátima desde 2011
Padre Carlos Cabecinhas é reitor do Santuário de Fátima desde 2011 FOTO: Lusa

O reitor do Santuário de Fátima, Carlos Cabecinhas, pediu precaução relativamente a uma "visão ideológica" da mensagem de Fátima, avisando que o contexto é diferente do vivido em 1917.

"Nós não estamos a pedir a conversão da Rússia. Nós estamos a pedir a paz e uma paz que não tem que ver com um regime ateu que procura impor o ateísmo a um país", afirmou Carlos Cabecinhas, durante a conferência de imprensa que antecedeu a Peregrinação Internacional Aniversária de Maio.

O reitor disse que a guerra na Ucrânia se deve a "uma deriva imperialista de um país que, violando as leis internacionais, invade um outro país, provocando uma guerra", que "é uma fonte terrível de problemas".

"A referência da Rússia no segredo não tem que ver propriamente com a geografia e com um povo, tem que ver com uma ideologia que pretende excluir de forma radical Deus daquilo que é o horizonte das pessoas", frisou.

Segundo Carlos Cabecinhas, "quando a mensagem de Fátima fala da necessidade de conversão da Rússia, fala fundamentalmente desta necessidade de dar a Deus o lugar que a ele compete na vida dos crentes".

"Neste momento, na Ucrânia, não temos uma guerra religiosa. Não temos, por um lado, um regime que procure afastar Deus do horizonte das pessoas e, por outro lado, um regime que procure defender essa presença de Deus. A situação é outra, os tempos são outros, o horizonte mudou radicalmente", sublinhou.

O bispo de Leiria-Fátima, José Ornelas, lembrou que os primeiros destinatários da mensagem de Fátima foram três crianças que apenas entenderam "a enormidade que é a guerra".

A terceira parte do Segredo de Fátima é a que levanta uma maior número de questões, quando refere que um bispo vestido de branco foi morto por um grupo de soldados.

João Paulo II identificou-se com este "bispo vestido de branco" e relacionou os tiros como o atentado que sofreu em 1981, precisamente no dia 13 de Maio. João Paulo II considerou que foi salvo da morte por intervenção de Nossa Senhora, e afirmou que "uma mão disparou a arma, outra guiou a bala".

O esclarecimento papal surgiu depois da terceira parte do Segredo de Fátima ter sido lida no final da missa de beatificação de Francisco e Jacinta no ano 2000, em Fátima, presidida pelo Papa João Paulo II.

Mas, em 2017 o Papa Francisco voltou à questão do segredo.

Na oração rezada na capelinha das aparições, em Fátima, Francisco descreveu-se a si mesmo como um "bispo vestido de branco".
Rússia Segredo de Fátima Carlos Cabecinhas Ucrânia Deus João Paulo II Papa Francisco religião
Ver comentários
}