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Correio da Manhã

Sociedade
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Investigadores portugueses estudam ferramenta que deteta novo coronavírus em 45 minutos

Projeto envolve o Centro Hospitalar Universitário de São João, no Porto.
Lusa 24 de Abril de 2020 às 17:42
Hospital de Campanha no São João, no Porto
Hospital São João, no Porto
Hospital de São João, no Porto
Hospital de Campanha no São João, no Porto
Hospital São João, no Porto
Hospital de São João, no Porto
Hospital de Campanha no São João, no Porto
Hospital São João, no Porto
Hospital de São João, no Porto
Uma equipa de investigadores do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP) vai implementar uma ferramenta de diagnóstico que, baseada numa técnica "altamente sensível", permite a deteção do novo coronavírus em 45 minutos.

"Quanto mais rápido for o diagnóstico do novo coronavírus (SARS-CoV-2), mais rápida é a resposta e o acompanhamento dos doentes, por forma a impedirmos a sua transmissão", afirmou hoje, em declarações à Lusa, Luísa Pereira, investigadora do IPATIMUP.

O projeto, desenvolvido no âmbito da linha de financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) 'RESEARCH 4 COVID-19', envolve também o Centro Hospitalar Universitário de São João, no Porto.

Segundo Luísa Pereira, a ferramenta de diagnóstico, que estava a ser trabalhada no IPATIMUP no âmbito do vírus que causa a febre de dengue, vai ser "readaptada" à covid-19.

"Vamos readaptá-la a este vírus em particular e depois testar a sua eficácia", afirmou a investigadora, acrescentando que a ferramenta se baseia numa técnica "altamente sensível", intitulada de 'CRISPR-Cas13a'.

"O método baseia-se no uso de enzimas especiais que tornam o processo muito mais rápido e permite também que seja muito mais sensível, atuando a partir de quantidades mínimas de amostra e se o vírus estiver pouco concentrado, ainda assim, consegue detetá-lo", explicou.

Acrescentando, "atualmente, depois da extração do RNA viral, preparação e processamento na máquina [o processo] demora cerca de três horas, com este método, passa a 45 minutos".

Além de ser mais rápida, a ferramenta também é "mais barata", sendo que o preço estimado por amostra é de um euro.

À Lusa, Luísa Pereira adiantou que a técnica já está a ser usada por alguns grupos de investigação chineses e americanos.

Com um financiamento de 30 mil euros, este é um dos 66 projetos apoiados pela linha de financiamento 'RESEARCH 4 COVID-19', que visa responder às necessidades do Serviço Nacional de Saúde.

A nível global, segundo um balanço da AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 200 mil mortos e infetou mais de 2,7 milhões de pessoas em 193 países e territórios. 

Portugal contabiliza 854 mortos associados à covid-19 em 22.797 casos confirmados de infeção, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia.

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