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Correio da Manhã

Sociedade
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Jovens investigadores do Porto selecionados para programa da Agência Espacial Europeia

Objetivo passa por "avaliar o efeito da hipergravidade na permeabilidade do intestino", revelou uma das responsáveis.
Lusa 22 de Janeiro de 2020 às 16:03
Agência Espacial Europeia, Santa Maria, Açores, Azores International Research Center, AIR Center, Ministério da Ciência, Ciência, Tecnologia, European Space Tracking
Agência Espacial Europeia, Santa Maria, Açores, Azores International Research Center, AIR Center, Ministério da Ciência, Ciência, Tecnologia, European Space Tracking FOTO: Arquivo Agência Lusa
Uma equipa de jovens investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) foi selecionada para um programa da Agência Espacial Europeia (ESA) e vai "avaliar o efeito da hipergravidade na permeabilidade do intestino", revelou uma das responsáveis.

"Vamos avaliar diferentes gravidades e comparar com o controlo (resultados obtidos no dia-a-dia) para perceber se há diferenças na absorção intestinal", afirmou Helena Macedo, uma das quatro jovens de doutoramento que integra agora o programa "Spin Your Thesis!" da Academia da ESA.

Em declarações à Lusa, a jovem explicou que o objetivo da equipa, intitulada 'Artemis', passa por testar o efeito da hipergravidade na absorção de dois fármacos, um para o tratamento de diabetes e outro anticancerígeno.

"Vamos utilizar estes fármacos dentro de nanopartículas para perceber até que ponto é que, aplicando hipergravidade os fármacos, passarão melhor ou pior pelo intestino. Apesar de não existir literatura sobre o efeito da hipergravidade no epitélio intestinal, acreditamos que serão melhor absorvidos", referiu.

De acordo com Helena Macedo, a equipa vai recorrer a modelos 'in vitro' que "mimetizam o epitélio intestinal" para testar as nanopartículas que tem vindo a desenvolver e assim, perceber a influência da gravidade na absorção, sendo que os testes vão ser realizados na Centrífuga de Grande Diâmetro (LDC) que "simula a força gravitacional até valores 20 vezes superiores aos experimentados na superfície da Terra".

À Lusa, a jovem avançou que ainda durante este mês a equipa se vai deslocar até ao Centro Europeu de Educação e Segurança Espacial (ESEC), na Bélgica para realizar alguns workshops, sendo que os testes na centrífuga deverão ocorrer em setembro, no Centro Europeu de Investigação e Tecnologia Espaciais (ESTEC), na Holanda.

"Apesar de já existirem centrífugas para certos tratamentos, não vamos conseguir submeter as pessoas à gravidade. No fundo, isto é mais uma prova de conceito para quem sabe, um dia mais tarde podermos, nós ou outros investigadores, perceber como é que estes testes podem ser aplicados à clínica", concluiu.

O programa "Spin Your Thesis!" da Academia da Agência Espacial Europeia visa proporcionar aos alunos de mestrado e doutoramento a oportunidade de projetarem e testarem as suas experiências de hipergravidade na Centrífuga de Grande Diâmetro.

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