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Correio da Manhã

Sociedade

Jovens são quem mais admite ter começado a tomar ansiolíticos e antidepressivos devido à pandemia do coronavírus

Inquérito divulgado pela Escola Nacional de Saúde Pública refere ainda que idosos aumentaram dosagem desse fármaco devido à covid-19.
Lusa 2 de Maio de 2020 às 11:47
Jovens com depressão
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Jovens com depressão
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Os jovens são quem mais admite ter iniciado a toma de ansiolíticos e antidepressivos durante o período da pandemia e os idosos quem mais aumentou a dosagem, revela hoje um inquérito da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP).

Contudo, a grande maioria dos inquiridos (83%) diz não ter tomado nenhum destes medicamentos, segundo o questionário "Opinião Social" do Barómetro Covid-19, um projeto da ENSP que acompanha a evolução das perceções dos portugueses durante a pandemia.

Das pessoas que referem tomar atualmente este tipo de medicamentos, 14% iniciou a toma durante o período da covid-19, 9% aumentou a dosagem e 77% não alterou a forma como o faz, indica o estudo que vai na quinta semana de análise e conta com mais de 170 mil questionários preenchidos, sendo que os dados hoje divulgados referem-se, na sua maioria, às respostas reportadas entre os dias 10 e 24 de abril.

Segundo o estudo, a que a agência Lusa teve acesso, são as mulheres que mais tomam ansiolíticos e antidepressivos (19% comparativamente a 12% dos homens).

Quando analisado o consumo por escalão etário, verifica-se que são os idosos quem mais consome (34%), enquanto 23% têm entre os 46 e os 65 anos, 14% entre os 26 e os 45 anos e 9% entre os 16 e os 25 anos.

A análise observa que são os mais jovens (16-25 anos) quem mais refere ter iniciado a toma durante este período e os idosos quem mais aumentou a dosagem.

O inquérito sobre a utilização dos cuidados de saúde revela ainda que 93% dos inquiridos disse não ter necessitado de fazer um tratamento num serviço de saúde em tempos de covid-19, contra 7% que afirmou que sim.

Das 350 pessoas que referiram ter precisado de fazer um tratamento, cerca de 34% não o fez porque o serviço desmarcou e 28% porque o próprio decidiu não fazer. Dos que o fizeram, 37% foi presencialmente.

São mais as mulheres quem reporta não ter feito tratamento (63,7% comparando com 59% dos homens).

De entre os que não realizaram o tratamento, são mais os homens que não fizeram por decisão própria (34% comparando com 25,8% das mulheres), enquanto nas mulheres foi mais por desmarcação do serviço (37,9% comparando com 25% dos homens).

Embora com ligeiras diferenças, são também os idosos (67,7%) quem mais reporta não ter feito o tratamento, em comparação com as pessoas mais jovens (59,9% - 26-45 anos; 63,4% - 46-65 anos). Uma análise mais atenta das pessoas que fizeram o tratamento presencialmente revela que cerca de 70% consideraram grave o motivo para o tratamento.

A Escola Nacional de Saúde Pública salienta que, "com o passar das semanas, se assiste a um crescimento do nível de confiança das pessoas no que diz respeito à capacidade de resposta dos serviços de saúde à covid-19".

Se na primeira semana apenas 9,4% das pessoas estava muito confiante, esta percentagem mais do que duplicou na quinta semana (21,6%).

Atualmente, apenas 14% das pessoas está pouco ou nada confiante, quando na primeira semana mais de um terço de todos os respondentes reportava estar pouco ou nada confiante, sublinha a ENSP.

Portugal contabiliza 1.007 mortos associados à covid-19 em 25.351 casos confirmados de infeção, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde divulgado na sexta-feira.

Das pessoas infetadas, 892 estão hospitalizadas, das quais 154 em unidades de cuidados intensivos, e o número de casos recuperados passou de 1519 para 1.647.

Portugal terminar hoje o terceiro período de 15 dias de estado de emergência, iniciado em 19 de março, e o Governo anunciou a passagem para situação de calamidade a partir das 00:00 de domingo.

 

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