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Correio da Manhã

Sociedade
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Lisboetas saem à rua para passear e praticar exercício físico

População procurou "apanhar ar fresco" e "espairecer", mas conscientes de que a quarentena é essencial no combate à pandemia de Covid-19.
Lusa 28 de Março de 2020 às 16:21
Lisboetas saem à rua para passear e praticar exercício físico
Lisboetas saem à rua para passear e praticar exercício físico
Lisboetas saem à rua para passear e praticar exercício físico
Lisboetas saem à rua para passear e praticar exercício físico
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Lisboetas saem à rua para passear e praticar exercício físico
Lisboetas saem à rua para passear e praticar exercício físico
Num sábado de sol, foram muitos os lisboetas que aproveitaram a manhã deste sábado para passear e levar os cães à rua, mas também muitos os que optaram por caminhadas, corridas e treinos ao ar livre.

Depois de no fim de semana passado se terem verificado algumas concentrações de pessoas que aproveitaram o bom tempo para passeios e atividades à beira mar e nas marginais um pouco por todo o país, hoje, no Parque das Conchas, em pleno centro da cidade de Lisboa, eram algumas as pessoas que às primeiras horas da manhã preenchiam as "avenidas" desta zona verde da capital.

A maior parte procurou "apanhar ar fresco" e "espairecer", mas conscientes de que o cumprimento da quarentena é essencial no combate à pandemia de Covid-19.

Carlos Monteiro, funcionário dos CTT, pouco depois das 10:00 já tinha acabado o seu treino de corrida diário e disse à agência Lusa que, até agora, pouco alterou na sua rotina diária.

"Acabámos agora o nosso treino, que fazemos todos os dias. O treino correu bem. Faltou-me o ar mas é o normal", diz bem disposto, acrescentando que procura fazer uma vida normal, "evitando ajuntamentos e contacto com outras pessoas".

Já sobre o futuro, mostra-se um pouco mais cético e acredita que voltar à normalidade vai ainda demorar algum tempo.

"Vai demorar a recomeçar, e a distância social que estamos a viver vai criar um afastamento entre as pessoas maior do que já existia. É um empurrão para que as pessoas se afastem ainda mais", lamenta.

Com Carlos ainda a alongar, Mariana Oliveira entra no Parque das Conchas com o filho de dois anos. Ele foi o motivo que a fez quebrar por alguns minutos a quarentena.

"Temos de sair para permitir que as crianças apanhem um pouco de ar. Como temos estado em isolamento aproveitamos estas horas mais calmas para eles apanharem um pouco de ar fresco", diz esta jovem bancária, que confessa que o maior desafio das limitações impostas pelo estado de emergência tem sido conciliar o teletrabalho com a assistência aos dois filhos.

Sobre as saídas à rua, garante que toma todas as precauções e que se sente em segurança quando o faz.

"Sinto-me em segurança. Escolho sair nas horas em que há poucas pessoas e quando passamos por alguém as pessoas afastam-se naturalmente", conta à Lusa, admitindo que a perspetiva de a quarentena durar mais algumas semanas "vai custar bastante, mas é a opção menos má e um esforço que todos temos de fazer".

Mais à frente, João Oliveira passeia o Jarbas, um bulldog inglês. Empresário da restauração e com todos os seus estabelecimentos de portas fechadas, confessa que passear o seu "companheiro de quatro patas" é um dos pontos altos do dia.

"Ele está em quarentena, como nós todos, e precisa de fazer exercício diário", justifica o empresário, que revela que todos os dias sai de casa para fazer exercício físico e considera uma "bênção" ter à porta de casa o Parque das Conchas.

Apesar das saídas, acha importante respeitar o período de quarentena e julga que todos o estão a fazer.

"É bem visível que as pessoas estão a respeitar, pois este parque num dia como o de hoje estaria cheio. É importante que se mantenham essas regras, pois caso contrário não conseguiremos travar esta situação", sublinha.

Noutra zona da capital, em Algés, junto à Fundação Champalimaud, com o sol já bem alto e perto da hora de almoço, muitas pessoas calçaram as sapatilhas para correr à beira mar.

Joana Marques, farmacêutica, escolheu a bicicleta para vir passear com os filhos, mas frisa que é uma saída breve.

"É só um passeio muito rápido, só para apanhar ar, sol e espairecer. Vivemos num apartamento, por isso sabe bem sair um bocadinho", salienta, frisando que a família o faz de dois em dois dias.

Sobre a quarentena, a farmacêutica diz que as duas primeiras semanas foram fáceis, mas antecipa que os próximos tempos possam ser mais complicados.

"Prevejo mais um mês duro, mas temos de estar cientes que é pela saúde de todos e na expectativa de que melhores dias hão de vir", termina.

Pedro Pires também aproveitou o sol para ir até esta zona ribeirinha. Foi passear a sua cadela, mas não só.

"Tenho uma cadela e tenho que a passear todos os dias, tenho essa obrigação. Foi isso que vim fazer: passeá-la a ela e a mim também", diz este condutor do setor da distribuição.

Pedro Pires considera que as pessoas "têm respeitado" as indicações dadas pelas autoridades de saúde e pelo governo, aponta que o trânsito é disso exemplo, mas sobre o futuro tem poucas certezas.

"Acho que estamos a viver algo inédito. Todos estamos a viver uma experiência única nas nossas vidas e não faço ideia de como vai correr. Espero que consigamos diminuir substancialmente o problema, mas não faço ideia. É uma incógnita", diz honestamente.

Depois da quarentena obrigatória a que foi votada pelas entidades de saúde, em virtude de uma colega de trabalho ter sido diagnosticada com Covid-19, Maria José Oliveira aproveitou o sábado de manhã para sair pela primeira vez de casa.

"Estive 16 dias em casa. Mais do que o indicado até, mas como tinha trabalho também não saí ao fim dos 14 dias. Já tenho a confirmação de que não estava infetada e como hoje é sábado resolvi dar um passeio pela zona ribeirinha", explica esta técnica de marketing, que a trabalhar com uma empresa da grande distribuição revela que o teletrabalho lhe tem trazido ainda mais horas ocupadas.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 600 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram quase 28.000.

O continente europeu, com mais de 329 mil infetados e mais de 19 mil mortos, é aquele onde está a surgir atualmente o maior número de casos.

Em Portugal, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 100 mortes, mais 24 do que na véspera (+31,5%), e registaram-se 5.170 casos de infeções confirmadas, mais 902 casos em relação a sexta-feira (+21,1%).

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até às 23:59 de 02 de abril.

Parque das Conchas Covid-19 Carlos Monteiro Portugal questões sociais coronavírus
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