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Correio da Manhã

Sociedade
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Mais de mil cancros ficam por diagnosticar devido à pandemia

Redução dos rastreios por causa da Covid-19 atrasa deteção de doenças oncológicas.
Bernardo Esteves 24 de Outubro de 2020 às 09:43
Exames oncológicos
Referenciação desceu 20 por cento só no Instituto Português de Oncologia de Lisboa, segundo a LPCC
Angariados 3 M € no ano passado
Exames oncológicos
Referenciação desceu 20 por cento só no Instituto Português de Oncologia de Lisboa, segundo a LPCC
Angariados 3 M € no ano passado
Exames oncológicos
Referenciação desceu 20 por cento só no Instituto Português de Oncologia de Lisboa, segundo a LPCC
Angariados 3 M € no ano passado
Mais de mil cancros da mama, do colo do útero, colorretal e de outros tipos ficaram por diagnosticar nos últimos oito meses devido à redução dos rastreios por causa da Covid-19, denuncia a Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC).

“O rastreio do cancro da mama parou entre 16 de março e 16 de junho, o do cancro do colo do útero está praticamente parado desde março, e o rastreio do cancro colorretal também está com dificuldades na retoma. Aplicando os números de anos anteriores, estamos muito próximo dos mil cancros adiados só no diagnóstico precoce”, revela Vítor Rodrigues, presidente da LPCC.

Em relação aos restantes tipos de cancro o dirigente não tem números, mas diz que “centenas” terão também ficado por diagnosticar. “Só no Instituto Português de Oncologia de Lisboa a referenciação desceu 20 por cento. E há mais centenas de casos não referenciados por falta de consultas, que caíram um milhão, segundo a Ordem dos Médicos”, refere o dirigente. Vítor Rodrigues avisa que “o combate ao cancro deve ser uma prioridade contínua e não pode ficar em segundo plano face à pandemia de Covid-19”. “É preciso que as autoridades planeiem melhor as coisas, perdemos três meses no verão que poderíamos ter aproveitado”, disse o dirigente, que teme uma acumulação de casos de cancro num futuro próximo.

Peditório nacional a partir de dia 29
A Liga Portuguesa Contra o Cancro vai manter o peditório nacional entre 29 de outubro e 3 de novembro, apesar das restrições à circulação entre concelhos. “Vamos recorrer aos voluntários de cada concelho”, afirma Vítor Rodrigues. A LPCC garante que serão adotadas medidas para impedir o contágio da Covid-19. No ano passado, 20 mil voluntários angariaram 3 milhões de euros para apoiar doentes no rastreio e no pagamento de rendas, transportes e alimentação, tendo os pedidos de ajuda subido 40%.
Liga Portuguesa Contra o Cancro Covid-19 Vítor Rodrigues LPCC saúde doenças cancro
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