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Correio da Manhã

Sociedade
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"Mais valia apostarem em câmaras de gás": mãe com dois filhos deficientes desespera por ajuda do Estado durante pandemia

Carla tem três filhos, dois deles, Gabriel e César, têm uma doença rara sem diagnóstico.
Marta Ferreira 24 de Abril de 2020 às 01:17
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"Mais valia apostarem em câmaras de gás": mãe com dois fihos deficientes desespera por ajuda do Estado durante pandemia
Carla Ribeiro, de Coimbra, tem três filhos, dois deles com deficiência. César e Gabriel, de 22 e cinco anos, têm uma doença rara sem diagnóstico. 

Desde os dois anos que os dois irmãos apresentam vários problemas como a dificuldade em andar bem, não falam, têm um sistema nervoso bastante alterado e problemas cognitivos. Para poderem evoluir fazem terapia da fala, de luzes, ocupacional, hidroterapia, fisioterapia e ginásio. Tudo isto ficou em pausa com a pandemia de coronavírus que veio mudar o mundo como o conhecíamos. 

A mãe, Carla, está revoltada pois os dois filhos começam a regredir no seu desenvolvimento devido à paragem das terapias que faziam diariamente. "O César tem 22 anos e há 22 anos não havia tanta resposta a nível de terapias. Perdi tudo para conseguir que o meu filho andasse pelo pé dele, neste momento todo o esforço que foi feito está em risco, está a deixar de andar", sublinha. "Ele está a ficar agressivo, ele quer sair de casa, ele bate-nos, ele morde-nos... tenho de o segurar para ele não se automutilar", descreve acrescentando que o filho mais novo, também ele com incapacidade cognitiva, acaba por imitar o irmão fazendo o mesmo. 

"Os meus filhos e todas as crianças com deficiência estão entregues a elas próprias, foram esquecidas", afirma Carla Ribeiro acrescentando que "ninguém quer saber".

"O Estado esqueceu-se completamente destas crianças, o pior deste vírus é a indiferença", defende. 

Confrontada com a possibilidade de um dia não estar cá para poder cuidar dos filhos, Carla afirma: "eu sei o fim". "Vão ser postos para dentro de um lar ou de um hospital e ninguém quer saber deles", diz Carla. 

"Era preferível, em vez de ventiladores, mais valia apostarem em câmaras de gás em vez desta tortura diária, faziam de vez", atira a mãe de César e Gabriel. Carla afirma que, para o Estado, os filhos são "uma pedra no sapato".
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