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Correio da Manhã

Sociedade
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Marcelo vai condecorar "os heróis da saúde em Portugal” que trataram o primeiro doente de covid-19

10 de junho marca o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
Lusa 10 de Junho de 2020 às 11:02
Assinala-se o Dia de Portugal em Lisboa com programa mínimo
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Assinala-se o Dia de Portugal em Lisboa com programa mínimo
Assinala-se o Dia de Portugal em Lisboa com programa mínimo
O Presidente da República assinala hoje o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas com um programa mínimo no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, onde estarão apenas os dois oradores e seis convidados.

Devido à pandemia de covid-19, Marcelo Rebelo de Sousa cancelou as comemorações do 10 de Junho que estavam previstas para a Região Autónoma da Madeira e África do Sul e optou por fazer em Lisboa uma cerimónia "pequena, simbólica", como seu entender deveriam ter sido celebrados o 25 de Abril e o 1.º de Maio.

Marcelo Rebelo de Sousa fala ao País
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, homenageou hoje os "heróis da saúde" que têm tratado os doentes com covid-19, considerando que têm tido um "heroísmo ilimitado a fazer de carências e improvisos excelência".

Na cerimónia comemorativa do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, nos claustros do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, o chefe de Estado centrou o seu discurso na nova realidade resultante da pandemia de covid-19, questionando, em tom crítico: "Percebemos mesmo aquilo que, apesar das devoções de tantas e tantos, falhou na saúde, na solidariedade social, no público, no privado, no social?".

Segundo o chefe de Estado, a situação em que Portugal se encontra, passados três meses de se terem detetado os primeiros casos de covid-19 no país, só foi possível, entre outros fatores, porque no setor da saúde houve "heroísmo ilimitado a fazer de carências e improvisos excelência e salvaguarda de vida e saúde".

"Portugueses, é justo que nos unamos para homenagear os heróis da saúde em Portugal, todos, sem exceção. E aqui lhes testemunho, convosco e em vosso nome, essa homenagem. E não podendo galardoar simbolicamente todos eles, escolhi os que trataram o primeiro doente com covid-19. O médico que acompanhou, o enfermeiro que cuidou, a técnica de diagnóstico que examinou, a assistente operacional que velou", anunciou.

"Neles, a quem entregarei dentro de dias as simbólicas insígnias da Ordem do Mérito, abarcarei milhares e milhares de heróis de centenas e centenas de serviços e unidades de saúde", acrescentou o Presidente da República.

Marcelo Rebelo de Sousa adiantou que tenciona, "após a pandemia", promover uma "cerimónia ecuménica de crentes de várias crenças e de não crentes para homenagear os mortos, envolvendo as suas famílias no calor humano de que foram privadas semana após semana".

"Mas só serão justas estas homenagens, que não esquecem os compatriotas que lá fora morreram, sofreram e trabalharam neste tempo inclemente, se elas nos acordarem para o que temos de fazer", defendeu.


Tolentino Mendonça avisa que "a vida é um valor sem variações"
O cardeal Tolentino Mendonça avisou hoje que "a vida é um valor sem variações", defendendo o relançamento da aliança intergeracional para ajudar os idosos, as "principais vítimas da pandemia", a serem "mediadores de vida para as novas gerações".

Na perspetiva do cardeal, é preciso "reforçar o pacto comunitário", o que implica "relançar a aliança intergeracional" porque o pior que "podia acontecer seria arrumar a sociedade em faixas etárias".

"A tempestade provocada pela covid-19 obriga-nos a refletir sobre a situação dos idosos em Portugal e desta Europa. Eles têm sido as principais vítimas da pandemia", lamentou, considerando que os mais velhos, para lá do quadro clínico, também socialmente foram transformados numa "população de risco" já que estão "mais sós, mais pobres, remetidos muitas vezes para precários contextos de institucionalização".

Para Tolentino Mendonça, é preciso "rejeitar firmemente a tese de que uma esperança de vida mais breve determina uma diminuição do seu valor intrínseco" porque "a vida é um valor sem variações".

"Uma raiz do futuro de Portugal passa por aprofundar a contribuição dos seus mais velhos, ajudando-os a viver e a assumir-se como mediadores de vida para as novas gerações", defendeu.

O poeta lembrou a sua avó materna, sendo analfabeta, foi a sua primeira biblioteca.

Assim, o presidente das comemorações do Dia de Portugal pede uma visão "mais inclusiva do contributo das diversas gerações" porque "é um erro pensar uma geração como dispensável ou um como um peso", já que é impossível "viver uns sem uns outros", sendo "essa a lição das raízes".

"Camões desconfinou Portugal no século XVI e continua a ser para a nossa época um mestre da arte do desconfinamento", defendeu.

Para Tolentino Mendonça, "desconfinar não é simplesmente voltar a ocupar o espaço, mas é poder sim habitá-lo plenamente".

"Numa estação de tetos baixos, Camões é uma inspiração para sonhar sonhos grandes e isso é tanto mais decisivo numa época que não apenas nos confronta com múltiplas mudanças, mas sobretudo nos coloca no interior de uma mudança de época", enfatizou.

Mas o robustecimento da aliança intergeracional, na perspetiva de Tolentino Mendonça, "é olhar seriamente para outra das nossas gerações mais vulneráveis", como os jovens adultos, com menos de 35 anos, que já viveram duas crises e, apesar das elevadas qualificações, estão condenados ao trabalho precário ou a atividades informais.

"Reforçar o pacto comunitário implica um olhar novo sobre a ecologia", pediu ainda, considerando que é preciso "construir uma ecologia do mundo", onde em vez de "senhores despóticos" haja "cuidadores sensatos".

Num discurso carregado de citações de escritores desde Herberto Hélder a Luís de Camões, e no qual fez questão de se dirigir "como mais um entre os portugueses", o cardeal deixou uma mensagem: "Portugal é e será por isso uma viagem que fazemos juntos".

Seis convidados
Os seis convidados presentes correspondem aos primeiros lugares da lista de precedências do Protocolo do Estado, que é encabeçada pelo chefe de Estado, seguindo-se o presidente da Assembleia da República, o primeiro-ministro e os presidentes do Supremo Tribunal de Justiça, do Tribunal Constitucional, do Supremo Tribunal Administrativo e do Tribunal de Contas.

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