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Marcelo teme que país tenha perceção menos positiva de lotação permitida em Fátima

"Deus queira que eu me engane relativamente ao facto de se entender que 50 mil pessoas, no dia 13 de outubro, é uma realidade", diz Presidente da República.
Lusa 16 de Setembro de 2020 às 00:10
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa FOTO: António Cotrim / Lusa
O Presidente da República disse esta terça-feira temer que a perceção da sociedade sobre o 13 de outubro, em Fátima, com 50 mil pessoas, seja menos positiva do que a das autoridades envolvidas, perante o aumento de infetados por covid-19.

"Deus queira que eu me engane relativamente ao facto de se entender que 50 mil pessoas, no dia 13 de outubro, é uma realidade. Não é que [esse número] não respeite as regras sanitárias (...), não é que não revele um grande esforço de organização. Mas quanto à perceção que tem a sociedade portuguesa, relativamente ao momento vivido, e ao que significa, no momento vivido, [a presença de] 50 mil pessoas", sublinhou. 

Marcelo Rebelo de Sousa respondia assim quando questionado pelos jornalistas sobre a concentração de fiéis no Santuário de Fátima, cujo acesso foi bloqueado, no domingo, depois de ter atingido a lotação máxima permitida no contexto da pandemia de covid-19.

Na altura, a porta-voz do santuário, Carmo Rodeia, quando questionada pela agência Lusa, disse que a lotação máxima do local obedece às orientações acertadas entre a Conferência Episcopal Portuguesa e a Direção-Geral da Saúde, e corresponde a "um terço do espaço" que normalmente estava acessível aos peregrinos antes da pandemia.

Segundo dados indicados pela instituição à agência Lusa, em 2017, quando da visita do Papa Francisco a Portugal, "o santuário tem cerca de 72 mil quadrados, 30 mil dos quais correspondem ao recinto de oração".

O número de 50 mil peregrinos, citados por Marcelo Rebelo de Sousa, tem origem numa notícia do jornal Correio da Manhã, que o indica como lotação máxima permitida pela Direção-Geral da Saúde (DGS), no Santuário de Fátima, na peregrinação aniversária de outubro.

Assumindo-se como "católico e 'fatimista'", Marcelo sublinhou, contudo, que "não é disso que se trata", referindo-se às regras sanitárias, mas "da perceção da sociedade num momento em que há 400, 500, 600 ou ligeiramente mais casos por dia", advertiu, salientando que esta era a preocupação que tinha em relação à Festa do Avante!.

"Quando foi da Festa do Avante! eu até fui muito mal-entendido porque não pus em causa nem a competência jurídica da Direção-Geral da Saúde, para definir regras, nem a preocupação do Partido Comunista Português [PCP]", afirmou o chefe de Estado à margem de uma visita ao Porto.

Aos jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa garantiu que, quando comentou a Festa do Avante!, referia-se à perceção externa da sociedade num momento que o país atravessa por conta da pandemia de covid-19, não pretendendo pôr em causa as duas instituições, nomeadamente o PCP, que lhe facultou o acesso ao Plano de Contingência, onde verificou que "foi muito grande o cuidado do Partido Comunista para cumprir a regras sanitárias".

"Se fosse num momento de 100 casos por dia, tenderem para ser 50, um fenómeno a desaparecer... Agora num momento é que a tendência é para subir [o número de casos] e não para descer, a minha preocupação era que a perceção não [fosse] tão positiva quanto a DGS e o PCP entendiam. Eu até disse humildemente: (...) 'Deus queira que eu me engane'", afirmou.

Na segunda-feira, o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, revelou que os responsáveis pelo Santuário de Fátima vão reunir-se com o Ministério da Saúde, "o mais rapidamente possível", face à "preocupação acrescida" da instituição com os aglomerados de pessoas no recinto.

Na conferência de imprensa regular de atualização dos números da covid-19 em Portugal, o secretário de Estado disse ainda ser importante que, no próximo dia 13 de outubro, quando se realiza mais uma peregrinação, a instituição esteja "devidamente prevenida e preparada", devendo programar essa data "de forma a garantir a segurança da comunidade e a respeitar a Direção-Geral da Saúde".

Em Portugal, morreram 1.875 pessoas dos 65.021 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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