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Marcha do Orgulho LGBT no Porto assinalou de forma simbólica 15 anos de existência

Desfile foi transmitido em direto nas redes sociais, para que, de alguma forma, todos pudessem participar.
Lusa 4 de Julho de 2020 às 17:56
Marcha do Orgulho LGBT no Porto assinalou de forma simbólica 15 anos de existência
Marcha do Orgulho LGBT no Porto assinalou de forma simbólica 15 anos de existência FOTO: Twitter
Dezenas de ativistas, representantes de associações e coletividades participaram hoje de forma simbólica na Marcha do Orgulho LGBT, no Porto, que este ano assinala o 15.º aniversário da sua criação, assim como as conquistas, desde então, alcançadas.

"Mudou muita coisa, felizmente mudou muito no plano legal, no que tem a ver com a comunidade LGBT, mas não quer dizer que esteja tudo resolvido, há ainda muita coisa para mudar e há principalmente a necessidade de uma enorme vigilância, tendo em conta os focos de nacionalismo absurdo que vão aparecendo", afirmou, em declarações à agência Lusa, João Paulo, um dos criadores da Marcha LGBT do Porto.

O ativista sublinhou que "se hoje um individuo LGBT for agredido tem uma lei que o protege, tem a obrigação policial para o ouvir e encaminhar no sentido certo, coisa que quando eu tinha 16 anos não acontecia".

Congratulou-se com o facto de "existirem cada vez mais polícias formados e atentos a este tipo de violência e a outros tipos de violência, como a doméstica, por exemplo", mas alertou para o facto de "muita coisa poder voltar atrás. Tudo pode mudar de um dia para o outro".

João Paulo, que hoje marcou presença na iniciativa, mas já fora da organização, recordou ainda que "a marcha começou muito catalisada pelo que aconteceu a Gisberta Salce Júnior", a transexual que foi assassinada em 2006 por um grupo de jovens, no Porto.

Em declarações à Lusa, Patrícia Martins, da organização, recordou que "a marcha começou com 300 pessoas, há 15 anos, e em 2019 teve a participação de sete mil", transformando-se, assim, "na manifestação com maior número de pessoas no espaço público no Porto".

"Este ano queremos assinalar os 15 anos de marcha, porque para nós o aumento da participação significa as lutas, as vitórias e as conquistas alcançadas", frisou.

Neste contexto de pandemia "foi necessário adaptar todas as comemorações que estavam previstas" mas "não quisemos deixar de ocupar o espaço público e decidimos, a par das iniciativas que decorrem 'online', convocar as pessoas que fazem parte da organização dos diversos coletivos e associações para fazermos este percurso simbólico" entre a Praça da República e a Avenida dos Aliados, acrescentou.

O desfile foi também transmitido em direto nas redes sociais, para que, de alguma forma, todos pudessem participar. Neste percurso foram colocadas diversas referências à história da Marcha do Orgulho como cartazes, faixas, fotografias e outros elementos artísticos.

O programa 'online' público contou com a participação dos vários coletivos e associações e de algumas personalidades da cultura e da música (concertos, performances e curtas metragens), nomeadamente de Pedro Abrunhosa, que interpretou a música de homenagem a Gisberta Salce Júnior.

Através das diversas intervenções 'online', foi promovida uma angariação de fundos para a Casa Arco Íris da Associação Plano I e a associação SOS Racismo.

Orgulho LGBT Porto manifestação
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