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Correio da Manhã

Sociedade
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Medicina do Porto defende aumento do acesso a programas de reabilitação respiratória

Especialistas da Faculdade alertam que saúde dos pacientes agravou-se com o coronavírus.
Lusa 9 de Julho de 2020 às 14:19
Arguida era tesoureira da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto e sacou dinheiro durante 15 meses
Arguida era tesoureira da Faculdade de Medicina Dentária da Universidade do Porto e sacou dinheiro durante 15 meses FOTO: Direitos Reservados
Especialistas da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e do CINTESIS alertam para a necessidade de se aumentar o acesso de pessoas com doenças respiratórias crónicas a programas de reabilitação e telerreabilitação.

No comunicado avançado esta quinta-feira, o grupo de investigadores alerta para os efeitos da pandemia do coronavírus nas pessoas com doenças respiratórias crónicas que necessitam de reabilitação, suportado por uma 'letter' [carta] publicada na revista científica Pulmonology.

Para Cristina Jácome, primeira autora da 'letter', a situação, que "já era muito preocupante", agravou-se "ainda mais com a covid-19", sobretudo devido "à interrupção dos programas" de reabilitação e ao aumento do número de doentes com problemas respiratórios.

Em Portugal, 0,5 a 2% das pessoas com doença respiratória crónica têm acesso a programas de reabilitação, assegura a FMUP. Para a investigadora, uma das soluções para dar resposta a esta necessidade passa por continuar a implementar "sessões de reabilitação à distância".

"É urgente aumentar o acesso dos doentes a programas de reabilitação respiratória e os programas de telerreabilitação poderão ajudar. Nesta nova normalidade, a reabilitação à distância pode ser uma ferramenta útil, desde logo, para chegar aos doentes que vivem longe dos centros existentes a nível nacional", defende Cristina Jácome.

Acrescentando, no entanto, que faltam agora "orientações específicas" para a implementação de programas de telerreabilitação respiratória que "terão de emergir de um esforço conjunto da tutela e das diferentes sociedade científicas e profissionais envolvidas na prestação destes cuidados".

A Lusa contactou o Ministério da Saúde, mas até ao momento não obteve resposta.

No comunicado, a FMUP acrescenta ainda que, integrando o treino de exercício, educação e alterações comportamentais, os programas de reabilitação respiratória "melhoram os sintomas e têm resultados positivos nos domínios fisiológicos e psicossociais em pessoas" com doenças do foro respiratório, doença pulmonar obstrutiva crónica ou cancro do pulmão.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 549 mil mortos e infetou mais de 12 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Portugal regista hoje mais 13 óbitos por covid-19, em relação a quarta-feira, e mais 418 casos de infeção confirmados, dos quais 328 na região de Lisboa e Vale do Tejo, segundo os dados da Direção-Geral da Saúde (DGS).

De acordo com o boletim epidemiológico diário, o total de óbitos por covid-19 desde o início da pandemia é agora de 1.644 e o total de casos confirmados é de 45.277.

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