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Correio da Manhã

Sociedade
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Médico alerta para aumento de peso: "Não podemos encontrar conforto nos petiscos"

Quarentena vai inevitavelmente traduzir-se em mais peso na balança.
Vanessa Fidalgo 29 de Março de 2020 às 09:19
O médico Pedro Lobo do Vale
O médico Pedro Lobo do Vale FOTO: Duarte Roriz

O médico Pedro Lobo do Vale avisa que é preciso continuar a fazer boas escolhas à mesa e fazer um esforço para não fazer do prato um escape emocional.

CM - Vê-se as redes sociais cheias de fotos de petiscos e bolos. A quarentena vai fazer-nos ganhar peso?
- Vê-se as redes sociais cheias de fotos de comida calórica e de piadas sobre pessoas magras que ficaram gordas! E de facto, a quarentena vai inevitavelmente refletir-se na balança. Sobretudo, porque não vamos ao ginásio, não saímos para trabalhar e, portanto, não queimamos as mesmas calorias que antes. Só isso, já é um fator desequilibrador. Mas soma-se o facto de nos sentirmos frustrados e depauperados do ponto de vista emocional, dadas as circunstâncias, e todos acabamos por ter tendência a procurar conforto à mesa, seja nos doces, no vinho ou noutras iguarias.

- Vai ser como no Natal?
- Vai ser pior que o Natal, pois é muito mais que uma semana.

- Além do sedentarismo, o que mais o preocupa em relação dos seus doentes?
- Comer enlatados e processados a toda a hora não é a opção mais saudável.

- Que boas escolhas aconselha, igualmente saborosas, mas saudáveis?
- O segredo nesta altura, por todas as razões, é apostar em grande medida nos frescos. Na fruta, que é tão saborosa e doce. Não vale a pena inventar desculpas pois ainda não estamos em guerra e podemos ir ao supermercado comprar frescos. Duram uma semana no frigorífico e podem ser cozinhados de muitas maneiras. Podemos até optar pelos biológicos - mais nutritivos. Nos centros urbanos nem é preciso sair de casa, pois há lojas que precisamente agora começaram a entregá-los à porta.

O MEU CASO
Manuela Vilas-Boas tem a mãe infetada
"Foi uma semana de desespero"
Manuela Vilas-Boas viveu uma semana de autêntico pesadelo. Filha de uma idosa internada no lar ‘O Amanhã da Criança’, na Maia, onde já houve duas vítimas mortais e tem 12 funcionários e 25 utentes infetados. A mãe, de 84 anos, hipertensa e diabética, é uma delas. 

Primeiro Manuela desesperou pelo resultado do teste que demorou quase quatro dias. "Durante este tempo, só queria arranjar maneira de tirar a minha mãe de lá, porque acreditava que, caso ainda não estivesse internada, ainda podia ir a tempo de a proteger e que se lá ficasse acabaria por inevitavelmente adoecer. Mas não consegui arranjar ambulância para a transportar, a delegada de saúde não atendia e ninguém nos dava respostas. Eu só queria tirar a minha mãe dali a tempo", recorda.

Depois, soube que a mãe tinha sido contagiada, ainda que se mantenha praticamente assintomática. Manuela quis então transferi-la para uma unidade de saúde, mas "como não tem sintomas, só alguma febre de vez em quando, não tem prioridade", conta.

Agora, finalmente, todos os idosos foram transferidos para um hotel na Maia (enquanto o lar é desinfetado) juntamente com os funcionários que estão a cuidar deles.  "Os infetados estão separados , mas ainda há muitos idosos que não têm o resultado do teste e portanto pode continuar a haver contágio". Manuela lamenta que a DGS não tenha dado mais informação nem uma resposta pronta a este caso, apesar dos esforços da instituição.  "Foi a Câmara da Maia que custeou tudo: a transferência, os testes, a desinfeção", garante.

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