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Correio da Manhã

Sociedade
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Médicos e enfermeiros acusam Francisco George de pôr em risco Hospital da Cruz Vermelha

Clínicos contestam transformação da unidade de saúde para tratamento exclusivo Covid sem condições para tal.
Correio da Manhã 7 de Abril de 2020 às 13:53
Francisco George
Francisco George
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Francisco George
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Francisco George
Francisco George
Mais de quatro dezenas de médicos do Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa (HCVP) acusam o presidente daquela instituição, Francisco George, de estar a "pôr em risco a sobrevivência clínica e económica" da unidade de saúde de Lisboa.

"O HCVP entrou num processo de ruína económica e financeira", lê-se numa longa carta assinada por médicos, enfermeiros e técnicos enviada aos presidentes da República, do Parlamento, ao primeiro-ministro e aos ministros de Estado, da Defesa e da Saúde. Na missiva, a que o CM teve acesso, refere-se que "manter no cargo o Dr. Francisco George é o caminho mais direto para a falência do Hospital a curto prazo."

Na origem desta contestação está a circunstância de "logo no início da pandemia" o HCVP ter oferecido "os seus préstimos ao SNS [Serviço Nacional de Saúde] como "hospital livre de Covid". A decisão terá sido tomada numa reunião que contou com a presença de Francisco George. Só que, referem os signatários, "fomos [depois] surpreendidos pelas declarações do mesmo Dr. Francisco George, na comunicação social, sem termos sido novamente ouvidos". Segundo a carta, o antigo Diretor-Geral de Saúde terá declarado "que o HCVP passaria a ser dedicado ao tratamento exclusivo de doentes Covid".

Na denúncia, refere-se que "o número de camas oferecido publicamente (110 de internamento e 17 de cuidados intensivos) não corresponde à realidade existente" e essa será uma das razões da contestação e um dos argumentos para considerarem "este comportamento do Dr. Francisco George suicidário" em relação ao Hospital da Cruz Vermelha.

Contactado pelo CM, Francisco George disse desconhecer o assunto. "Desconheço o assunto, estranho nenhum deles ter falado comigo na medida em que estou no Hospital da Cruz Vermelha, na administração de porta aberta, de manhã até à noite", garante acrescentando que nenhum o contactou nesse sentido. 
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