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Correio da Manhã

Sociedade
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Ministério Público pede 12 anos para mãe de bebé do lixo

Imagens provam que criança esteve 37 horas no ecoponto. Defesa nega ter havido premeditação.
Bernardo Esteves 8 de Outubro de 2020 às 08:23
Bebé foi encontrado no lixo em Lisboa
Sara Furtado, a mãe que abandonou a criança no lixo
Bebé foi salvo por técnico do INEM
Bebé foi encontrado no lixo em Lisboa
Sara Furtado, a mãe que abandonou a criança no lixo
Bebé foi salvo por técnico do INEM
Bebé foi encontrado no lixo em Lisboa
Sara Furtado, a mãe que abandonou a criança no lixo
Bebé foi salvo por técnico do INEM
O Ministério Público (MP) pediu esta quarta-feira uma pena de prisão não inferior a 12 anos para Sara Furtado, a mãe que abandonou o filho recém-nascido num ecoponto em Santa Apolónia, Lisboa, em novembro de 2019.

A mulher, que se encontra em prisão preventiva, está acusada do crime de homicídio qualificado na forma tentada - a criança salvou-se graças a duas pessoas sem-abrigo que a retiraram do lixo. “Decidiu desfazer-se da criança matando-a, resultou provado. No julgamento não mostrou arrependimento, chorou mas não disse que tinha pena pelo que aconteceu”, afirmou a procuradora do MP, frisando ainda que a jovem “saiu de casa da mãe porque não queria trabalhar nem estudar”.

Já a defesa lembrou que Sara “esteve 13 anos institucionalizada, teve uma relação conflituosa com a família e passou a viver na mendicidade”. Lembrando o contexto em que vivia a jovem sem-abrigo de 22 anos, a advogada Rute Alexandra Santos pediu uma pena “dentro dos limites mínimos” para o crime de infanticídio (quando a mãe mata o recém-nascido ainda sob a influência perturbadora do parto).

“Não há premeditação, foi ditado pelas circunstâncias e atendendo ao desespero em que se encontrava”, afirmou. O inspetor da PJ António Portela garantiu na audiência que as imagens de videovigilância provam que o bebé foi colocado no lixo na madrugada de 4 de novembro e esteve 37 horas lá dentro. Daniel Gomes, médico do D. Estefânia, afirmou que é possível ter lá estado 37 horas porque estava aquecido e garantiu que o bebé não esteve em estado crítico e que não precisou de ser reanimado.



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