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Correio da Manhã

Sociedade

"Morreu 5 minutos depois de chegar": Reformado morre em casa após ter alta

Família de Albano Pereira considera que médico foi negligente.
Liliana Rodrigues 20 de Janeiro de 2020 às 01:30
Albano Pereira, 70 anos, morreu de ataque fulminante
Maria Alice Silva acusa o médico de não ter levado a sério os sintomas do marido
Albano Pereira, 70 anos, morreu de ataque fulminante
Maria Alice Silva acusa o médico de não ter levado a sério os sintomas do marido
Albano Pereira, 70 anos, morreu de ataque fulminante
Maria Alice Silva acusa o médico de não ter levado a sério os sintomas do marido
"Se o médico tivesse levado a sério os sintomas do meu marido, hoje ainda aqui estaria connosco". Maria Alice Silva tem gravadas na memória as últimas sete horas de vida do marido, no dia 4 deste mês, três delas passadas na Urgência do Hospital de Braga: Albano Pereira, de 70 anos, entrou às 9 horas da manhã e teve alta cerca das 12h30.

Morreu meia hora depois, cinco minutos após ter chegado a casa. O Hospital de Braga mandou abrir um inquérito. O caso já está a ser acompanhado pelo Ministério Público.

"Tinha acabado de chegar a casa. Entrou, deitou-se na cama e como não tinha comido nada, insisti que comesse sopa porque tinha sido medicado com um analgésico muito forte. Comeu duas colheres e foi logo para a casa de banho vomitar. Desfaleceu de imediato. Morreu cinco minutos depois de chegar do hospital", recorda, emocionada, Maria Alice Silva, que não tem dúvidas em afirmar que o médico da Urgência foi "negligente e incompetente".

"Com o historial do meu marido de problemas cardíacos, que há quatro anos sofreu uma trombose e há 15 anos teve um enfarte, o facto de ter dores fortes na virilha e que se estendiam por uma perna, além dos fortes enjoos, deveria ter pedido que fosse visto por um cardiologista", afirma a viúva.

"Insisti várias vezes com o médico, que mandou fazer análises gerais e partiu logo do pressuposto que teria uma dor ciática e indisposição gástrica. Acedeu fazer-lhe um eletrocardiograma dizendo que era porque eu o estava a pedir. Os valores não eram bons, mas estavam dentro dos valores que costumava apresentar", recorda a filha, Rita Pereira. "Só queremos saber quem errou", rematou.

Queixas de atraso no socorro do INEM
A família queixa-se dos meios de socorro: "O meu pai teve um ataque cardíaco cerca das 13h00. Foram feitas várias chamadas para o 112, mas a VMER do INEM veio de Barcelos e só chegou 40 minutos depois", lembra a filha, Rita Pereira, revoltada.

Inquérito para poder apurar "de forma rigorosa"
O Hospital de Braga "vai proceder à abertura de um processo de inquérito para apurar de forma rigorosa todos os acontecimentos" deste caso. Em comunicado emitido este domingo de manhã, a unidade hospitalar "lamenta profundamente o falecimento" e expressa "as mais sinceras condolências à sua família".

PORMENORES
Seguido no hospital
Albano Pereira sofreu um enfarte há 15 anos e em 2016 uma trombose. Era seguido no Hospital de Braga há vários anos.

Motorista reformado
Natural de Borba, em Celorico de Basto, Albano Pereira foi motorista de autocarros. Estava reformado.

INEM responde esta segunda-feira
Contactado pelo CM, o INEM remeteu para esta segunda-feira quaisquer esclarecimentos sobre o caso e o socorro prestado.
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