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Correio da Manhã

Sociedade
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“Nós estamos desesperados”: escolas de condução dizem-se esquecidas pelo Governo

Em todo o País há cerca de 1300 escolas de condução e os seus quase dez mil colaboradores não sabem quando voltarão ao trabalho.
Fátima Vilaça 3 de Maio de 2020 às 10:24
Hernâni Fontes é proprietário da Escola de Condução Ramalde, na cidade do Porto
Hernâni Fontes é proprietário da Escola de Condução Ramalde, na cidade do Porto FOTO: Nuno Fernandes Veiga

Hernâni Fontes tem 40 anos e é proprietário da Escola de Condução Ramalde, na cidade do Porto. Tem mais três colaboradores, sendo que um deles é a mulher. Ou seja, tem o ganha-pão do casal encerrado há mês e meio e sem qualquer perspetiva de reabertura.

"Ouvi o senhor primeiro-ministro a falar da reabertura de uma série de setores, uns para 4 outros para 18 e outros ainda para o final do mês e, sobre as escolas de condução, nem uma palavra", diz o empresário, pai de dois filhos, de 6 e 10 anos.

Em todo o País há cerca de 1300 escolas de condução e os seus quase dez mil colaboradores não sabem quando voltarão ao trabalho. Para além disso, afirma Hernâni Fontes, as tentativas de recorrer ao layoff foram todas recusadas.

"Cada vez que tento submeter a candidatura, vem sempre recusada e, para além disso, como sou sócio-gerente de duas empresas, não tenho direito a qualquer tipo de apoio. Sendo que ambas as empresas estão de portas fechadas", afirma o gestor.

O empresário assegura que a sua escola está preparada para reabrir a qualquer momento, tendo já definido percursos de circulação de pessoas e colocado material de proteção, como gel desinfetante. Diz também não compreender porque é que, no caso do código, não são permitidas as aulas por internet.

"Nós estamos desesperados. Há quase dois meses que não faturamos um cêntimo e as despesas são as mesmas. Já equacionei a venda de alguns carros", afirma Hernâni Fontes, apelando por indicações do Governo.

Utentes decidem não ir
Um inquérito da Escola Nacional de Saúde Pública sobre a utilização dos cuidados de saúde durante a pandemia revela que 22,4% dos utentes não tiveram consulta por decisão própria e 35% porque foi desmarcada pelos serviços - 75,3% referiu não te tido necessidade da consulta, enquanto 24,7% afirma o contrário. O estudo envolveu mais de  170 mil questionários.

Emissões em teletrabalho
A presidente do departamento de Ciências e Engenharia do Ambiente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, Júlia Seixas, sublinhou este sábado que a descoberta do teletrabalho motivada pela pandemia de Covid-19  "evitou deslocações, evitou-se a emissão de gases com efeito de estufa e teve impactos positivos nos custos das empresas".

Linha de apoio psicológico
A linha telefónica de apoio psicológico Gaia+Consigo, criada pela Câmara de Vila Nova de Gaia, recebeu cerca de 120 contactos num mês, tendo encaminhado pelo menos 14 pessoas para consulta. A equipa composta por 30 técnicos voluntários recebeu formação para intervir em situações de crise. A linha (800 210 115) está disponível todos os dias entre 9h00 e as 20h00.

Menos cantoneiros
Todos os dias partem para as ruas de Loures e Odivelas 150 profissionais da recolha de lixo, metade do que seria normal. Levam para casa pouco mais de 600 euros, sentem-se pouco reconhecidos, mas continuam a fazer um trabalho que não pode parar, num esforço contínuo para manter as ruas limpas. Só descansam ao fim de sete dias, quando dão lugar a outros 150 profissionais.

Substituir linha da frente
O presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, Alexandre Lourenço, defendeu este sábado ser necessário substituir os profissionais que estão na primeira linha de combate à Covid-19, que têm um "desgaste físico e emocional muito elevado".  Considera que é preciso "fazer rotações" de atividade, sobretudo, nos Cuidados Intensivos e nas enfermarias gerais.

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