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Correio da Manhã

Sociedade

"Números mais negros do mundo. E agora?": Enfermeiro mostra "guerra" contra a Covid-19 e faz apelo aos portugueses

Nuno Moreira da Fonseca sublinha o "horror e morte" que tem presenciado.
Marta Ferreira 20 de Janeiro de 2021 às 19:29
Imagem captada no Hospital Curry Cabral, em Lisboa
Imagem captada no Hospital Curry Cabral, em Lisboa FOTO: Instagram/Nuno Sousa da Fonseca
Nuno Moreira da Fonseca, enfermeiro no Serviço de Doenças Infecciosas do Hospital Curry Cabral, não tem dúvidas: "estamos em guerra". É assim que o profissional de saúde se refere ao que estamos a viver, ao Correio da Manhã. Os números são negros e parece não haver luz ao fundo do túnel, mesmo com uma vacina já a ser administrada. 

Numa publicação feita através do Instagram, onde tem desde o início da pandemia alertado os portugueses para o drama que se vive nos hospitais, o enfermeiro sublinha o estado de "letárgico" que se vive onde "já não se reage a tamanha barbaridade".

Num apelo desesperado aos portugueses, e com muitas questões sobre as medidas que se têm tomado, Nuno sublinha o "horror e morte" que tem presenciado.

"Ninguém questiona porque se abriu o país na semana de Natal ,para se contagiarem e morrerem milhares de pessoas, e mesmo agora com números tão elevados vamos esperar mais uns dias para se voltar a confinar de forma total. Que desilusão e que perda irreparável!Temos os números mais negros do mundo e ... não acontece nada? Num país onde os trabalhadores da saúde estão exaustos, desesperados e impotentes, na escolha entre quem vive e quem morre. Quem se acusa? Ninguém, é a normalidade no país onde os culpados assobiam para o lado. O Presidente da República e o Primeiro Ministro concordam que o pacto social do período de Natal falhou, mas as escolas não precisam de encerrar, vai haver eleições e vamos falhar de novo, para quê! E agora Portugal?", descreve o enfermeiro.

afirma ainda: "O amanhã será pior se continuarmos a colocar em causa o trabalho levado à exaustação de todos quantos deram o melhor de si, até muito para além do dever".

O apelo do enfermeiro:
"Peço-vos mais do que nunca que sejam tidas em consideração as normas sanitárias que continuam a ser sistematicamente ignoradas como nos mostram estes números assustadores. Por todos nós e especialmente por aqueles que são vítimas desta pandemia, por todos os que perderam esta batalha e pelo país exangue que queremos ver renascer".
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