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Correio da Manhã

Sociedade
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O regresso às aulas na escola de antigamente

Escritora Alice Vieira relembra o entusiasmo com que voltava às aulas, após o fim das férias grandes.
Ana Maria Ribeiro e Miguel Azevedo 11 de Setembro de 2020 às 09:40
Carlos Aberto Moniz
Francisco Ferreira

João Dias da Silva
Maria de Belém
José Cid
Ana Rita Cavaco
Carlos Aberto Moniz
Francisco Ferreira

João Dias da Silva
Maria de Belém
José Cid
Ana Rita Cavaco
Carlos Aberto Moniz
Francisco Ferreira

João Dias da Silva
Maria de Belém
José Cid
Ana Rita Cavaco
Alice Vieira recorda os tempos de escola com saudade. Como a família não fazia fé no sistema de ensino, a escritora teve aulas em casa durante os primeiros anos de aprendizagem. Até ao dia em que bateu o pé e anunciou que queria ir para o liceu. “Por insistência minha, fui. Puseram-me no Filipa de Lencastre, e gostei tanto de lá andar que até inventava aulas que não tinha para ficar por lá mais tempo. Adorava o liceu – que se tornou na minha segunda casa –, adorava os professores, adorava as minhas colegas, adorava aprender”, recorda a autora de ‘Chocolate à Chuva’. Hoje, a sala onde estudou leva o nome de Alice Vieira. Um orgulho.

Dos sete anos que passou no liceu, Alice Vieira diz que foram “dos melhores da vida”. Na altura, as aulas recomeçavam em outubro, após um período de férias “demasiado grande”. “Quando as aulas finalmente começavam eu já estava ansiosa para voltar”, lembra. “Nada que ver com os miúdos de hoje, de quem tenho muita pena”, comenta. A pandemia, as medidas de segurança, o distanciamento social a que os alunos estão obrigados – tudo isso lhe parece cruel. “É horrível. Como se vai explicar às crianças, sobretudo às mais pequenas, que não se podem tocar nem abraçar? Ainda bem que não tenho netos pequenos...” 

Mais professores para dar matéria
O número de professores no ensino quadruplicou desde os anos 60, mas o crescimento do número de alunos não acompanhou o aumento. De acordo com os números fornecidos pela base de dados Pordata, em 1961 Portugal tinha 36 699 professores no ativo. Em 2019 eram quase 147 mil.

depoimento
Carlos Aberto Moniz, cantor e compositor

“Não havia traumas”
O regresso à escola para nós, na ilha Terceira, nos Açores, era voltar ao convívio com os amigos. Não havia traumas. Eu era um aluno médio. Depois, já no liceu, comecei a formar um grupo com quem fazia tertúlias e que foi determinante para o meu percurso.

Francisco Ferreira, ambientalista da Zero

“Não estudava muito”
Confesso que, nos meus tempos de escola, gostava de regressar às aulas mas não estudava muito. Meti-me em associações de ambiente aos dez anos, portanto já canalizava para aí as minhas energias. Apesar disso, sempre fui bom aluno e tirava boas notas.

João Dias da Silva da Federação Nacional de Educação

“Primeiro ano marcou-me”
O início de ano que mais me marcou foi o meu primeiro ano como professor. Ainda não tinha terminado o curso e, na qualidade de professor contratado, fui colocado numa sala de aula onde eu era o mais novo. Ensino noturno, com pais de família. Marcou-me.

Maria de Belém, ex-ministra da saúde

“Tempo para a liberdade”
Sou do tempo em que, nos anos em que não havia exames, tínhamos três meses e meio de férias. O tempo era usado para usufruir da liberdade e da brincadeira, frequentemente associada à aprendizagem. Mas quando voltava era como se nunca tivesse saído.

José Cid, músico e cantor

“ Lembro-me da D. Olímpia”
Da minha escola primária lembro-me da professora, a Dona Olímpia, a minha mestra, e da filha dela, a Estelinha, a primeira loira oxigenada que conheci na vida. Não era bom aluno mas gostava de literatura e desenho porque era para mim muito intuitivo.

Ana Rita Cavaco, bastonária da Ordem dos Enfermeiros

“A minha avó fazia pirulitos’
Quando andava na escola primária, havia uma senhora que vendia pirulitos, uns chapeuzinhos de caramelo que eu adorava. Um dia, a minha avó começou a fazê-los, e no primeiro dia de escola eu ia sempre carregada deles, para mim e para os meus colegas. Uma alegria.


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