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Correio da Manhã

Sociedade
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Pais sem apoio durante as férias da Páscoa podem perder emprego ou ter de abandonar filhos em casa

Governo anunciou várias medidas de apoio às famílias por causa da pandemia do coronavírus.
Lusa 26 de Março de 2020 às 13:56
Crianças a brincar
Crianças a brincar FOTO: Sandy Millar/ Unsplash
A Confederação Nacional de Associações de Pais defende que o governo tem de prolongar apoios durante as férias da Páscoa, senão muitos pais terão de escolher entre deixar os filhos sozinhos em casa ou arriscar-se a perder o emprego.

"O Governo tem de perceber que os pais estavam preparados para as férias da Páscoa mas não estavam preparados para a pandemia. Neste momento, não existem ATL´s abertos nem os avós podem receber as crianças. Se o governo não prorrogar o diploma as famílias terão de ir trabalhar e abandonar os filhos em casa, o que é crime", disse hoje à Lusa o presidente da Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap), Jorge Ascensão.

Há cerca de duas semanas o Governo anunciou várias medidas de apoio às famílias por causa da pandemia de covid-9, entre as quais um plano de apoio aos trabalhadores com filhos até aos 12 anos que tivessem de ficar em casa, uma vez que todas as escolas seriam encerradas.

Os trabalhadores puderam ficar a prestar apoio aos filhos - com um corte no salário - não sendo marcadas faltas ao trabalho. No entanto, o apoio termina na sexta-feira, porque na semana seguinte já são férias da Páscoa, prejudicando "milhares de famílias", disse Jorge Ascensão.

Os encarregados de educação lembram que a situação que as famílias estão a viver se mantém inalterada e por isso pedem a prorrogação do decreto-lei que veio atribuir alguma segurança aos trabalhadores.  

Segundo o presidente da Confap, a situação está a preocupar "milhares de famílias", havendo algumas que, no desespero, já pedem soluções menos vantajosas, como ter apenas a garantia que as faltas ao trabalho são justificadas e que podem recorrer ao regime geral de apoio à família.

 "Quem decide sobre esta matéria é o primeiro-ministro ou o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, a quem já enviamos por escrito as nossas preocupações", acrescentou, sublinhando que no entender na Confap a solução deve passar por prorrogar o decreto-lei que definiu os direitos neste período de exceção.

A Confap pediu também ao Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, que apresentasse esta preocupação na reunião de Conselho de Ministros.

O presidente da confederação diz que tem sido contactado por muitos pais que estão angustiados com a situação e reitera que "deixar os filhos sozinhos em casa para ir trabalhar é abandono. É crime".

As escolas de todo o país, desde creches a estabelecimentos de ensino superior, estão encerradas desde a segunda-feira da semana passada, estando mais de dois milhões de crianças e jovens em casa.

Portugal regista 60 mortes devido à covid-19, mais 17 do que na véspera (+39,5%), e 3.544 infeções confirmadas, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, que identificou 549 novos casos em relação a quarta-feira (+18,3%).

Dos infetados, 191 estão internados, 61 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 43 doentes que já recuperaram.

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até às 23h59 de 02 de abril. 

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