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Correio da Manhã

Sociedade
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Países da UE devem combater a iliteracia desde a infância

Os países da União Europeia têm de combater a "crise da literacia", por melhores competências de leitura e escrita, logo desde a primeira infância até à idade adulta, assinala um estudo de peritos europeus divulgado esta quinta-feira, em Nicósia, no Chipre, nas vésperas do Dia Internacional da Literacia, que se assinala no próximo sábado.
6 de Setembro de 2012 às 11:35
Os países da União Europeia têm de combater a "crise da literacia", por melhores competências de leitura e escrita, logo desde a primeira infância
Os países da União Europeia têm de combater a 'crise da literacia', por melhores competências de leitura e escrita, logo desde a primeira infância FOTO: Jorge Paula

O relatório fala em "crise de literacia", porque um em cada cinco jovens europeus de 15 anos e quase 75 milhões de adultos ainda não têm conhecimentos de base para ler e escrever.

No documento do grupo de peritos, do qual fez parte o antigo ministro da Educação Roberto Carneiro, são feitas várias recomendações gerais para que, em 2020, 85 por cento dos jovens europeus com 15 anos tenham melhores níveis de literacia

Os peritos citam vários exemplos europeus de boas práticas de promoção de literacia e entre eles estão o programa ‘Novas Oportunidades’, actualmente em risco de ser extinto, o ‘Plano Nacional de Leitura’, o projecto de promoção da leitura ‘Cata-Livros’ e a organização não-governamental ‘Empresários pela Inclusão Social’.

Sobre o programa ‘Novas Oportunidades’, os especialistas sublinham que foi graças a ele que mais de 1,6 milhões de portugueses melhoraram as suas qualificações, alargando as hipóteses de progressão profissional e pessoal.

O relatório elenca medidas muito específicas para diferentes faixas etárias, desde a primeira infância, passando pela adolescência e incluindo a idade adulta, onde a iliteracia ainda é um "tabu".

Tendo por base vários indicadores científicos e estatísticos, como o Programa de Avaliação Internacional dos Estudantes (PISA) de 2009, os peritos reconhecem que há um desequilíbrio no que toca a competências de leitura entre sexos, com os rapazes a registarem níveis mais fracos (26,6 por cento) e a lerem menos do que as raparigas (13,3 por cento).

Por isso recomendam, a título de exemplo, que os adolescentes tenham acesso a materiais de leitura mais diversificados, como banda desenhada e livros electrónicos, e que sejam criadas bibliotecas em ambientes não convencionais, como os centros comerciais.

Ainda assim reconhecem que Portugal, Letónia, Luxemburgo e Polónia foram os países onde houve progressos nos níveis de literacia durante a última década entre os jovens com 15 anos.

A Comissão Europeia quer que se invista em professores especialistas em leitura, que haja mais programas de promoção da leitura e da escrita que envolvam pais e filhos, porque a influência parental não se fica apenas nos primeiros anos de vida.

O relatório não esqueceu a pobreza, já que pelo menos 27 milhões de crianças estão no limiar da pobreza no espaço da UE, do envelhecimento da população, da necessidade de renovação de competências adequadas à idade, e da vertente económica, porque o mercado de trabalho está a exigir qualificações de alto nível.

Baixos níveis de literacia significam maior dificuldade em conseguir um emprego, aumento do risco de pobreza e exclusão social, alertam os peritos.

A comissária europeia de Educação e Cultura, Androulla Vassiliou irá apresentar e debater os resultados deste relatório a 4 e 5 de Outubro no Chipre numa reunião informal com os ministros da Educação da União Europeia.

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