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Correio da Manhã

Sociedade
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Pandemia afeta produção e venda de manjericos em Lisboa

Com cancelamento dos tradicionais festejos, covid-19 afetou produção e comercialização de manjericos, havendo negócios com quebras até de 50%.
Lusa 12 de Junho de 2020 às 14:56
Santos Populares - Foto de arquivo
Santos Populares - Foto de arquivo
A pandemia de covid-19, com o cancelamento dos tradicionais festejos, afetou a produção e a comercialização de manjericos, havendo negócios com quebras até de 50% nas encomendas em Lisboa.

De acordo com a gerente de produção dos Viveiros Vítor Lourenço, Marisa Lourenço, a empresa -- com lojas na Grande Lisboa e no Porto - teve "alguns problemas" com os contratos assinados com as grandes superfícies comerciais, tendo vários compromissos sido cancelados.

"Nós cancelámos cerca de 20% da produção, mais ou menos. Mantivemos o resto, porque tivemos supermercados que disseram que não, que não queriam cancelar qualquer contrato", referiu à agência Lusa a também engenheira agrónoma.

Entre março e maio, os Viveiros Vítor Lourenço conseguiram manter a produção de manjericos por causa dos contratos assinados com dois grupos de hipermercados alemães, mas com redução na plantação de espécies.

Segundo a gerente, a produtora de plantas dedica-se à 'engorda' dos manjericos em estufa, ou seja, a empresa compra a planta a um fornecedor com cerca de três centímetros de altura e tenta fazer crescê-la até estar pronta para venda.

Com a diminuição da produção, a chegada da época dos Santos Populares não implicou uma quebra nas vendas, mas uma procura "demasiado grande" para os manjericos que estão a ser produzidos.

"Reduzimos a nossa produção e agora temos uma procura muito grande para a produção que realmente temos a sair. Se não tivéssemos feito um corte de 150 mil [manjericos] para 110 mil, talvez tivéssemos agora a possibilidade de estar a fornecer aos outros grupos também. [...] Nós reduzimos a nossa produção porque quiseram cancelar os contratos", disse Marisa Lourenço.

A quebra que se regista é "a quebra normal das plantas que morrem por ter fitóftora, que é um fungo, ou por algum outro problema genético que elas tenham".

Em março/abril, a empresa registou também uma grande quebra ao nível das plantas ornamentais, nas quais não se incluir o manjerico.

Com procura por parte de vários municípios e até da Assembleia da República, a empresa teve de declinar alguns pedidos, de modo a garantir os contratos já feitos com os grupos de hipermercados.

Por seu turno, Joaquim Araújo, responsável pela Manjericos Araújo, revelou à agência Lusa nesta época poderá haver uma quebra de mais de 50% nas vendas da planta no sul do país, durante os Santos Populares, por causa do aumento de infetados com covid-19 em Lisboa.

Já no início de junho se verificava uma redução das encomendas nesta zona.

"Veio em má altura este aumento de infetados", disse à Lusa Joaquim Araújo, adiantando que noutros anos vende cerca de 10 mil manjericos na zona de Lisboa.

A empresa produz cerca de 50 mil manjericos por ano, mas nem todos são comercializados, porque "há sempre alguns que são refugo -- é como a fruta e outras produções".

O também presidente da Junta de Freguesia de Pedrouços, na Maia (distrito do Porto), considerou que 2020 está a ser "um ano atípico" e que as quebras totais do negócio este ano, a nível nacional, poderão atingir os 15%.

"Estamos a prever algumas quebras, porque as pessoas ainda têm algum receio de sair de casa para se dirigirem às lojas. Prevejo uma quebra entre os 10% e os 15%", realçou.

No norte do país a empresa está a "vender bem": "Ainda não podemos fazer um balanço total. No São João vai haver alguma quebra, mas pouco significativa, estamos a vender bem. O sul vai ser pior para o negócio", explicou.

A véspera do Dia de Santo António, auge das Festas de Lisboa, antecipando o feriado municipal, é hoje marcada pelo histórico cancelamento dos festejos e a proibição dos tradicionais arraiais populares, devido à pandemia.

Em consequência da covid-19, não se realizará também este ano, no dia 13, a tradicional procissão de Santo António, existente desde o século XVIII, nem os casamentos ou as marchas populares, que se realizam no dia 12.

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