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Correio da Manhã

Sociedade
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Personal trainer sobre quarentena: "Níveis de massa gorda podem disparar"

Adapte o seu treino às condições em casa. O melhor horário é entre as 17 e as 18 horas.
Vanessa Fidalgo 25 de Março de 2020 às 08:27
David Gião, personal trainer
David Gião, personal trainer FOTO: Direitos Reservados

Além dos benefícios físicos, a prática de exercício também apresenta inúmeros resultados no combate à depressão e na gestão de stress. David Gião, personal trainer explica como devemos continuar a treinar em casa.

CM  - Que prejuízos pode causar a inatividade na Saúde de quem está em isolamento?
David Gião
- A perda de massa muscular pode gerar repercussões como a diminuição da taxa metabólica basal, levando assim a um consumo energético mais baixo o que, conciliado com um estilo de vida mais sedentário, pode fazer disparar os níveis de massa gorda e aumento de peso. 

- Como treinar em casa? 
- Ajustando em função do material de que se dispõe - podem usar-se elásticos, halteres, toalhas, TRX, pacotes de alimentos, cadeiras, tudo o que a imaginação permitir. Todos os grupos musculares devem ser treinados. Isto pode ser feito recorrendo a treinos de corpo inteiro ou dividindo por grupos musculares, tal como se faz no dia a dia dos treinos no ginásio. Tendo em conta que o leque de exercícios e recursos são menores, existem várias formas de dar outro tipo de estímulo ao nosso corpo. Pode mudar-se o tempo de cadência, com menos peso, fazendo o movimento mais lento, aumentando assim o tempo de contração do músculo. Recorrer a séries compostas é outra opção, isto é, realizar dois exercícios do mesmo grupo muscular sem pausa, o tempo de pausa entre séries pode também ser reduzido.

- Quais as horas mais favoráveis para treinar, ainda que em casa?
- O melhor horário para o realizar é entre as 17 e as 18 horas. Neste horário os níveis de cortisol e de insulina estão mais favoráveis.

O MEU CASO
Ingrid Leitão, mãe em teletrabalho
"Temos de ter esperança e fé"
Na Amadora, Ingrid Leitão, 41 anos, está em casa, em isolamento social, com os dois filhos, Afonso e André, de 10 e cinco anos, respetivamente.

"Tem sido estranho, saturante, complicado e angustiante. Estou a trabalhar em teletrabalho faço o horário das 9h à 18h, trabalho numa empresa na área da saúde, que vende material hospitalar no atendimento ao cliente, estou muitas vezes ao telefone que se torna difícil, claro que eles querem atenção mas não lhes consigo dar, é normal as crianças fazerem barulho, falarem alto, cantarem, querem brincar e por vezes tenho que pôr a chamada em pausa para lhes pedir para falarem mais baixo", conta. O mais velho compreende e, por vezes, "pede ao irmão para fazer menos barulho", porque a mãe está a trabalhar. "À hora de almoço, vou fazer a refeição, que fica pré-feita do dia anterior à noite. Sendo uma família monoparental à noite também não tenho ajuda de mais ninguém", lamenta Ingrid.

O filho mais velho está no 5º ano e tem tido muitos trabalhos de casa enviados pelos professores.

"Quando termino o meu horário ainda vou conferir os trabalhos que ele fez e pomos por ordem os trabalhos para o dia seguinte", conta. Nas alturas mais livres, pintam quadros, fazem desenhos, tendas, puzzles e brincam com plasticina. "Bem... fica a casa numa confusão! A mulheres que estão na mesma situação, tem de ser fortes ter muita paciência não entrar em desespero. Estou preocupada, até quando esta fase se prolonga, mas temos de ter muita esperança e fé", diz Ingrid Leitão.

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