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Portugal sai de lista que obrigava viajantes para Galiza a registarem-se

Decisão foi hoje publicada oficialmente pela Xunta da Galiza.
Lusa 5 de Agosto de 2020 às 17:04
Galiza
Galiza FOTO: Istockphoto
Portugal deixou hoje de fazer parte da lista de países e territórios cujos viajantes para a Galiza tinham de se registar, no âmbito da pandemia de covid-19, processo que o ministro dos Negócios Estrangeiros português elogiou.

A decisão foi hoje publicada oficialmente pela Xunta da Galiza (o governo desta comunidade autónoma) e confirmado à Lusa pelo ministro Augusto Santos Silva.

"A Galiza atualizou a sua lista de recomendações aos viajantes e excluiu Portugal dessa lista", afirmou Santos Silva, sublinhando tratar-se de "um bom exemplo".

Admitindo ter sido surpreendido, há cerca de 15 dias, com notícias sobre restrições à circulação dos portugueses na Galiza, Santos Silva explicou que o Governo pediu esclarecimentos às autoridades galegas, o que aconteceu numa reunião entre o presidente da Xunta da Galiza, Alberto Feijóo, e o embaixador português em Madrid, João Mira Gomes.

O encontro serviu para esclarecer que não havia restrições à circulação de pessoas oriundas de Portugal na Galiza, mas sim uma recomendação das autoridades de saúde galegas para que os viajantes se registassem, tornando um eventual contacto mais rápido e fácil.

Mas a reunião serviu também para alterar o processo de informação sobre os dados referentes à covid-19, adiantou o ministro.

"Combinámos com a Galiza um método: transmitirmos de imediato toda a informação sobre a situação epidemiológica portuguesa também regionalizada, portanto dando conta não apenas da evolução da situação nacional como das várias regiões do país", explicou.

Além disso, "acertámos uma reunião técnica das respetivas autoridades de saúde", onde foi passada a informação e "foi possível mostrar às autoridades galegas que o indicador que estavam a usar - que era sinalizar a necessidade ou conveniência do registo aos passageiros oriundos de territórios ou regiões que tivessem três vezes e meia mais casos nas últimas semanas do que a média galega -- não era preenchido pela generalidade das regiões portuguesas", avançou Santos Silva.

"Em resultado de tudo isto, na primeira revisão da lista, hoje publicada, Portugal é retirado dessa lista de recomendações", sublinhou o ministro, referindo que colocar as autoridades sanitárias, políticas e institucionais a dialogar "é um bom método".

"As autoridades trocam toda a informação técnica e científica com o cuidado e a profundidade analítica que só elas podem ter e os países ou regiões vão atualizando as suas recomendações em função dos factos e da evolução dos factos" e "não de outros critérios", disse.

A decisão hoje anunciada pela Galiza junta-se, como realçou Santos Silva, "ao conjunto de revisões de recomendações ou restrições impostas por diferentes Estados europeus", que têm reconhecido "a evolução positiva de Portugal" no número de infeções e vítimas do novo coronavírus.

"No fim da semana passada foi a Dinamarca, antes tinha sido a Grécia, a República Checa, a Roménia, Malta, entretanto a Eslovénia também alterou parcialmente as suas restrições, o mesmo se tinha acontecido com a Bélgica e os Países Baixos, para além da Hungria", exemplificou.

Segundo o Diário Oficial da Galiza, a revisão só retirou Portugal da lista, mantendo a imposição de registo para os viajantes das comunidades de Aragão, Catalunha, Navarra e País Basco e passando ainda a incluir também os de Madrid.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 701 mil mortos e infetou mais de 18,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.740 pessoas das 51.848 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.

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