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Correio da Manhã

Sociedade
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Praga de vespas asiáticas dirige-se para o Algarve

Nos primeiros seis meses do ano foram destruídos 5645 ninhos. Ação conta com investimento de 1,4 milhões de euros.
João Saramago e Tiago Virgílio Pereira 19 de Setembro de 2019 às 08:31
Elementos dos bombeiros queimam um vespeiro de vespa asiática
Elementos dos bombeiros queimam um vespeiro de vespa asiática
Elementos dos bombeiros queimam um vespeiro de vespa asiática
Elementos dos bombeiros queimam um vespeiro de vespa asiática
Elementos dos bombeiros queimam um vespeiro de vespa asiática
Elementos dos bombeiros queimam um vespeiro de vespa asiática
Elementos dos bombeiros queimam um vespeiro de vespa asiática
Elementos dos bombeiros queimam um vespeiro de vespa asiática
Elementos dos bombeiros queimam um vespeiro de vespa asiática
Elementos dos bombeiros queimam um vespeiro de vespa asiática
Elementos dos bombeiros queimam um vespeiro de vespa asiática
Elementos dos bombeiros queimam um vespeiro de vespa asiática
A vespa-asiática segue em direção ao Sul e poderá chegar ao Algarve dentro de poucos meses, depois de vários ninhos terem já sido destruídos na área da Grande Lisboa e no Ribatejo, de acordo com os dados mais recentes divulgados pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

"Foi vista em Portugal pela primeira vez na zona de Viana do Castelo, há oito anos.Depois, a vespa-asiática propagou-se para Sul e tudo indica que já terá ultrapassado o rio Tejo", disse Nuno Forner, da Associação Ambientalista Zero.

Nos primeiros seis meses foram destruídos 5645 ninhos, segundo dados do Ministério da Agricultura, sendo que o maior impacto desta espécie invasora é no Litoral Norte.

Desde fevereiro foi aplicado um milhão de euros em apoios aos municípios para a destruição de ninhos. Ação que em julho foi reforçada com mais 400 mil euros pela Secretaria de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural.

Nuno Forner sublinhou que "a destruição de ninhos é a forma mais eficaz para a redução de efetivos desta espécie invasora". Salienta ainda o biólogo que esta espécie provoca danos económicos com a "redução na produção de mel na sequência dos ataques desta espécie invasora".

Espécie carnívora que ataca as abelhas, acaba por provocar danos na atividade de polinização dos campos, sendo este um dos grandes efeitos da presença da vespa-asiática, considera o Plano de Ação para a Vigilância e Controlo da Vespa Velutina em Portugal.

O biólogo Nuno Forner aponta ainda os riscos para a saúde humana. "São animais muito territoriais, quando sentem que os ninhos estão ameaçados". Ao contrário da vespa europeia, o enxame persegue o invasor.

No espaço de um mês três pessoas morreram em Portugal picadas por abelhas ou vespas. O último caso ocorreu em Guimarães, em que um homem de 32 anos morreu asfixiado no espaço de 10 minutos ao ser picado por uma vespa europeia.

Receita caseira mata velutinas
Com fermento, açúcar e água foram já eliminadas centenas de vespas-asiáticas
As armadilhas artesanais feitas a partir de uma receita caseira, criada por alguns apicultores de S. Pedro do Sul, fazem já parte da ‘decoração’ de muitas árvores, um pouco por todo o concelho.

A receita é simples e toda a gente pode fazê-la. São precisos dois cubos de fermento de padeiro, meio quilo de açúcar e água. Depois de misturados, os ingredientes são colocados dentro de uma garrafa de plástico, com um tubo, de forma a que as vespas entrem na garrafa.

"O segredo é o odor libertado e que atrai as vespas-asiáticas. Quando caem na armadilha já não conseguem sair, pois ficam intoxicadas", explicou o apicultor Paulo Vinagre. "A fórmula está a resultar. Digo isto pela experiência pessoal, até porque já matei mais de cem com esta receita", complementou Vítor Figueiredo, presidente da Câmara de S. Pedro do Sul. As vespas-asiáticas são, nesta altura, "a maior dor de cabeça da proteção civil municipal" e prova disso são os mais de 400 ninhos que já foram eliminados desde o início do ano.

O CM assistiu à destruição de um ninho de grandes dimensões que estava instalado numa árvore da escola secundária. "Para eliminarmos os ninhos temos de usar fogo. As escolas e as casas são a nossa prioridade", concluiu Vítor Figueiredo.

Ninho removido do parque da Pena
O mais recente caso de ninho, na área da Grande Lisboa, foi detetado e posteriormente removido do parque da Pena, Sintra.

808 200 520 para acionar destruição
Pode alertar para a localização de um ninho pelo número de telefone 808 200 520, do SOS Ambiente e Território. 

13 mil efetivos dentro do ninho
Um ninho pode ter entre duas mil e 13 mil vespas. A destruição terá de ser feita por uma entidade especializada para não haver fugas.
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