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Correio da Manhã

Sociedade

Presidente da Câmara garante que "não há racismo" em Guimarães

Domingos Bragança sublinha que incidentes com Marega foram um "epifenómeno desportivo" que deve ser avaliado "com justiça".
Lusa 18 de Fevereiro de 2020 às 14:57
Autarca de Guimarães, Domingos Bragança
Autarca de Guimarães, Domingos Bragança FOTO: Paulo Duarte
O presidente da Câmara de Guimarães, Domingos Bragança, afirmou esta terça-feira que "não há racismo" no concelho, sublinhando que os incidentes de domingo com o futebolista Marega foram um "epifenómeno desportivo" que deve ser avaliado "com justiça".

Em declarações aos jornalistas à margem da inauguração de um gabinete de psico-oncologia, Domingos Bragança disse que não está a relativizar o que aconteceu no domingo no estádio D. Afonso Henriques e vincou que condena "qualquer tipo de atitude de racismo", seja em Guimarães ou em qualquer outra parte do mundo.

"Quem conhece Guimarães, sabe que é assim: em Guimarães não há racismo, Guimarães é uma cidade inclusiva, multicultural e multirracial. Os episódios que aconteceram não expressam o que é Guimarães, nem os vimaranenses, nem os vitorianos", referiu.

No domingo, o avançado Marega pediu para ser substituído, ao minuto 71 do jogo da 21.ª jornada da I Liga, entre o FC Porto e o Vitória de Guimarães, por ter ouvido cânticos e gritos racistas de adeptos da formação vimaranense.

Jogadores do FC Porto e também do Vitória de Guimarães tentaram demovê-lo, mas o maliano mostrou-se irredutível na sua decisão de abandonar o jogo.

Para o presidente da Câmara de Guimarães, o que aconteceu tem de ser visto como um "epifenómeno desportivo".

"Não estou a relativizar nada", frisou o autarca socialista, defendendo que a direção do Vitória e as entidades oficiais do desporto e da justiça devem apurar "com justiça" o que se passou.

Reiterou que Guimarães é uma cidade "contemporânea, aberta ao mundo" e que os vimaranenses "são pela universalidade e pela aceitação de todos, independentemente da sua condição, seja ela qual for".

Formulou votos de que o desporto "seja uma festa permanente" e que o Vitória seja "cada vez maior", nomeadamente em adeptos e no seu apoio.

Mas, disse ainda, um apoio "dirigido para os valores universais".

A PSP já identificou várias pessoas suspeitas de dirigirem cânticos e insultos racistas ao futebolista Moussa Marega, disse esta terça-feira à Lusa fonte daquela polícia.

A mesma fonte, que não adiantou o número de suspeitos identificados até ao momento, adiantou que a PSP continua as diligências para recolher informações e identificar outros envolvidos nos cânticos racistas.

Segundo a Polícia, a PSP está utilizar todos meios legais ao dispor, como videovigilância e testemunha, para identificar os envolvidos.

A fonte da Polícia de Segurança Pública disse ainda que toda a informação recolhidas é enviada para o Ministério Público (MP) de Guimarães, no âmbito do processo crime, e para a Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto, que instaurou um processo contraordenacional.

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