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Correio da Manhã

Sociedade

Presidente executivo do BCP alerta para fim das moratórias "antes do tempo" devido à Covid-19

Miguel Maya manifestou otimismo em relação à evolução da pandemia.
Lusa 27 de Outubro de 2020 às 13:36
Miguel Maya
Miguel Maya FOTO: Lusa
O presidente executivo do BCP, Miguel Maya, manifestou esta terça-feira otimismo em relação à evolução da pandemia, mas alertou para os riscos do fim das moratórias bancárias antes das empresas voltarem a ter liquidez.

"A retirada de apoios antes do tempo seria dramática. Temos que dar tempo à economia para respirar", disse Miguel Maya esta terça-feira em Lisboa na conferência "Banca do Futuro".

O gestor falava depois da intervenção do governador do Banco de Portugal que sinalizou também os riscos "sérios" de uma retirada precoce dos apoios às empresas, exigindo avaliações "cautelosas".

O evento juntou os presidentes do Novo Banco, BPI, BCP, CGD e Santander.

Miguel Maya disse "estar bastante otimista" e que discorda da existência de "uma bomba relógio" nas moratórias nos créditos a empresas e particulares, considerando que os apoios às empresas "foram corretos".

O presidente do BCP sublinhou que acredita que haverá condições para a recuperação económica, referindo que o tecido empresarial português evoluiu na última década e que "o tempo de empurrar os problemas com a barriga já acabou".

Na mesma linha, o presidente da comissão executiva da CGD, Paulo Macedo, considera que a questão das moratórias "depende do que vai acontecer às empresas" e se haverá uma "saída sustentável" desta medida ou um ambiente económico que permita às empresas fazer face ao cumprimento da dívida.

"Tem que haver um papel ativo da parte das empresas, do Governo e dos próprios bancos", sinalizou Paulo Macedo.

Menos otimista esteve o presidente do Santander, Pedro Castro Almeida, que referiu na sua intervenção que perante a incerteza da pandemia da covid-19, Portugal arrisca-se a viver "uma década de moratórias".

"Estou relativamente otimista no curto prazo. Se tivesse 80 anos, estaria contente, se tivesse 30, estaria muito preocupado, especialmente na Europa", disse.

Para Pedro Castro Almeida, "as receitas aplicadas em 2020 estão a funcionar, mas, no longo prazo, e em particular a partir de 2021, 'o mindset' vai ter de mudar de um 'mindset' de proteção para um de produtividade".

Se tal não acontecer, a consequência será grave, alertou o gestor, referindo que em Portugal o cenário agrava-se pelo facto de o modelo de apoios escolhido pelo Governo ser o oposto daquele que foi seguido pela larga maioria dos países europeus.

"Temos uma situação completamente à parte em Portugal, que tem a ver com o nosso ponto de partida. Aqui, decidimos dar moratórias e pouco apoio em termos de linhas garantidas, sendo que, no mundo inteiro, foi exatamente o contrário. Nos locais onde o Santander tem expressão internacional, seja na América Latina, nos Estados Unidos ou na Europa, 70% das moratórias já expiraram. O país que tem mais moratórias é Portugal", disse.

O presidente do Novo Banco, António Ramalho, referiu igualmente a "assimetria de Portugal" em relação ao resto da Europa na questão do recurso às moratórias.

"A banca portuguesa tem 22% do crédito em moratórias, quando o mais próximo, na Europa, é a Irlanda, com 13%. Todos os outros estão abaixo dos 10%. Além disso, somos o país com as moratórias mais longas", disse o gestor.

"O adiamento de decisões pode ser razoavelmente complexo para Portugal", avisou, referindo que um dos pontos fracos de Portugal e que torna a sua recuperação mais lenta é a dependência do turismo na economia.

O presidente da comissão executiva do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, lembrou que a evolução da economia está dependente de um "item externo que é a pandemia" e da capacidade de conter este imprevisto.

O gestor lembrou que se trata assim de um momento "totalmente novo" e que todas as previsões contêm em si uma grande dose de volatilidade.

"Para nós, que estamos mais perto das empresas, o importante é acompanhar dificuldades e encontrar soluções adequadas", disse, referindo que a gestão da crise atual deve ser feita "com olhos" e não com binóculos", tendo em conta que as empresas precisam de apoios imediatos e não de longo prazo.

Para João Pedro Oliveira e Costa, as moratórias são uma ajuda "muito significativa" do setor financeiro e que alivia o Estado.

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