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Correio da Manhã

Sociedade
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Pressão para testes rápidos à Covid-19 aumenta com procura do regresso à normalidade

Discussão divide opiniões entre cautelas com possíveis falsos resultados e a necessidade de agir.
Lusa 25 de Setembro de 2020 às 07:50
Pessoas com máscaras contra o coronavírus
Pessoas com máscaras contra o coronavírus FOTO: Getty Images
Apesar das dúvidas sobre a fiabilidade dos resultados, a pressão para a utilização dos testes rápidos no rastreio da covid-19 aumenta à medida que se procura um regresso à normalidade nas mais diversas atividades, da aviação ao desporto.

Esta semana, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), que junta 290 companhias aéreas a nível mundial, incluindo a TAP, pediu que a imposição da quarentena fosse substituída por testes rápidos e fiáveis aos passageiros antes dos voos, numa altura em que as viagens registam quebras de 90%.

Isto depois de a maior associação representativa da aviação europeia (Airlines for Europe) ter condenado o que classificou de "restrições fronteiriças caóticas" adotadas na União Europeia, com um "impacto devastador na liberdade de circulação" este verão.

Para Thomas Bach, presidente do Comité Olímpico Internacional, é ainda "muito cedo" para afastar incertezas sobre a organização dos Jogos de Tóquio. Também aqui tudo depende dos progressos na despistagem da covid-19, do desenvolvimento de eventuais vacinas e de testes rápidos.

Em Portugal, o Governo remeteu para o final da semana uma decisão sobre o contexto de utilização destes testes depois de ouvir um painel de peritos e de a Cruz Vermelha se ter disponibilizado para oferecer meio milhão de testes para escolas e lares.

A discussão divide opiniões entre as cautelas com possíveis falsos resultados, sobretudo em casos assintomáticos, e a necessidade de agir. Adalberto Campos Fernandes, médico e ex-ministro da Saúde, advertiu, em entrevista à Lusa, que é preciso ser ágil e "agir depressa" sobre o uso destes testes para "controlar melhor" o circuito de transmissão da covid-19.

Enquanto a discussão corre em Lisboa, algumas estruturas no terreno adotaram medidas com os meios disponíveis, como o caso da Câmara Municipal de Arouca, que no início do mês instalou no município um centro de testagem, com o objetivo de assegurar testes rápidos, sem necessidade de deslocação às estruturas de concelhos vizinhos que nunca estariam a menos de 30 quilómetros de distância.

Também em Vila Velha de Ródão o município decidiu recorrer a testes rápidos para detetar a eventual presença do novo coronavírus em trabalhadores de lares e outros funcionários de instituições de solidariedade social. As análises feitas até ao final de agosto apresentaram resultados negativos.

O presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, Francisco George, pretende ter o aval do Ministério da Saúde para que os testes rápidos de deteção da covid-19 que se propõe fornecer, e cujo sucesso garante, estejam disponíveis "muito em breve".

A estratégia do Governo para o outono/inverno prevê testes laboratoriais rápidos para SARS-CoV-2, com resultados em menos de 60 minutos, e testes com resultados em 24 horas.

Entretanto, a Federação Portuguesa de Râguebi decidiu distribuir 4.000 testes rápidos aos clubes que participam no campeonato da Divisão de Honra, que começa esta sexta-feira.

Estes testes permitem obter um resultado em cerca de 15 minutos, já estão disponíveis no mercado português e receberam "marcação CE para o seu dispositivo de teste rápido", segundo a página de internet do laboratório norte-americano responsável pelo fabrico e distribuição.

O governo da Região Autónoma dos Açores anunciou já que vai adquirir 100.000 testes rápidos, o que permitirá "reforçar a capacidade de rastreio de eventuais casos positivos" em espaços como escolas e lares de idosos.

Em França, um grupo de doentes de covid-19 e familiares pediu, na semana passada, a abertura de um processo contra o primeiro-ministro, Jean Castex, que acusa de conduta "potencialmente perigosa e contraditória" na gestão da pandemia associada ao novo coronavírus.

Entre outras questões, o Grupo de Vítimas do Coronavírus questiona a decisão do Governo francês de não ter autorizado até à data testes rápidos de saliva, em vez dos testes nasais (zaragatoa), cujos resultados demoraram vários dias devido à sobrecarga dos laboratórios.

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