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Correio da Manhã

Sociedade

Proteção Civil proíbe realização de mercado de gado na Póvoa de Varzim

Em causa está um evento conhecido como mercado de gado de Rates, suspenso desde o dia 14 deste mês.
Lusa 29 de Março de 2020 às 21:21
Acessos à Póvoa de Varzim controlados pela PSP após 'desrespeito ao Estado de Emergência'
Acessos à Póvoa de Varzim controlados pela PSP após 'desrespeito ao Estado de Emergência' FOTO: CMTV
A Comissão Distrital de Proteção Civil (CDPC) do Porto decidiu hoje proibir o mercado de gado promovido pela Leicar, Associação de Produtores de Leite e Carne, agendado para segunda-feira na Póvoa de Varzim, ao qual a autarquia local se opunha.

"Perante o pedido da câmara para não se realizar um evento porque viola a legislação [no quadro de Estado de Emergência que vive o distrito e o país], evento que a realizar-se ia juntar mais de 300 pessoas no mesmo espaço, e perante um parecer desfavorável do delegado de saúde, não havia outra alternativa que não impedi-lo", disse à agência Lusa o presidente da CDPC, Marco Martins.

Já num `email´ a que a Lusa teve acesso, enviado pela CDPC do Porto ao Comandante Operacional Distrital de Socorro (CODIS), lê-se que esta decisão foi tomada depois de contactos efetuados com a ministra da Agricultura, tendo esta garantido, lê-se no texto, que "a não realização do leilão `mercado Leicar´ não impediria o normal funcionamento da cadeia alimentar e dos respetivos canais de distribuição".

A CDPC do Porto refere que, além do pedido da autarquia poveira e do parecer negativo da autoridade de saúde local, tomou esta decisão devido "à falta do título de utilização daquele espaço para aquele fim" e devido à "não apresentação de um plano de contingência para a atividade".

"Se insistirem em realizar [o mercado], a GNR atuará", acrescentou Marco Martins, líder da Comissão Distrital de Proteção Civil do Porto.

Em causa está um evento conhecido como mercado de gado de Rates, suspenso desde o dia 14 deste mês devido à pandemia covid-19, mas que a promotora Leicar pretendia retomar na segunda-feira.

Esta tarde, em comunicado, a câmara da Póvoa de Varzim manifestou-se contra a realização da iniciativa, considerando que se realizaria "contra todas as recomendações e parecer da autoridade local de saúde pública".

Perante os desenvolvimentos, a Leicar, ao início da noite, confirmou à agência Lusa que decidiu suspender o mercado de gado, embora deixando críticas à forma como as entidades lidaram com o assunto.

"Numa postura de bom senso, e para não alimentar mais o `circo mediático´ que se instalou, decidimos não realizar o mercado. Mas é ridículo ver que ninguém se preocupou em contactar-nos para perceber como estávamos a preparar a iniciativa", disse Rui Sousa, presidente do Associação de Produtores de Leite e Carne.

O dirigente considerou que a medida "deixa os agricultores altamente prejudicados", e questionou "a coerência das entidades em proibirem este evento da Leicar, mas a manterem em funcionamento mercados abastecedores e municipais ou as lotes de peixe".

Em Portugal, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 119 mortes, mais 19 do que na véspera (+19%), e registaram-se 5.962 casos de infeções confirmadas, mais 792 casos em relação a sábado (+15,3%).

Dos infetados, 486 estão internados, 138 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 43 doentes que já recuperaram.

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até às 23:59 de 02 de abril.

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