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Correio da Manhã

Sociedade
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Psicóloga alerta: "Atual cenário é terreno fértil para a violência"

Estar fechado em casa com cônjuge violento pode tornar-se muito perigoso.
Vanessa Fidalgo 28 de Março de 2020 às 10:24
Vera de Melo, psicóloga clínica
Vera de Melo, psicóloga clínica FOTO: Direitos Reservados

O afastamento do trabalho, da rede familiar e dos amigos deixa as vítimas de violência mais à mercê do controlo do agressor.

CM - O isolamento social pode fazer aumentar a violência doméstica? Porquê?
Vera de Melo - O atual cenário de pandemia é um terreno fértil para a proliferação da violência doméstica. Estar confinado em casa, com um cônjuge violento, é muito perigoso. Com o passar dos dias, tudo passa a ser motivo de conflito. Está mais do que documentado que em situações de crise há um aumento da violência doméstica. Com o término das rotinas diárias, as vítimas estão expostas aos agressores por longos períodos de tempo e excluídas de apoio social, mas também institucional, para lidar com a crise. Muitas das estratégias diárias para sobreviver a uma relação abusiva, o trabalho, a rede de colegas e amigos, deixam de existir, aumentando o sofrimento e a incapacidade em agir, aumentando o poder do agressor.

- Mesmo em relacionamentos saudáveis, o isolamento pode abalar uma relação?
- O isolamento traduz-se num exame minucioso à qualidade da relação do casal. O desfecho parece óbvio, ou reforçam a relação, mais unidos do que nunca, ou a relação acaba e cada um deles vai ser feliz sozinho. Se antes conviviam com outras pessoas e o tempo que passavam juntos se reduzia a uns pares de horas, agora não têm outra hipótese. Fechados em casa, em regra com crianças, 24 horas, enfrentam assim uma proximidade verdadeiramente forçada. Um verdadeiro desafio! Paralelamente, cada um dos elementos do casal está focado em gerir os seus medos e ansiedades pelo que a disponibilidade para o outro, para o ouvir e compreender é reduzida.

O MEU CASO
Miguel Reis, Maria Inês e Diogo Cordeiro
"Fomos abandonados em Itália" 
"Só tenho medicação para a asma para duas semanas." A preocupação é sentida pelo jovem português Miguel Reis, de 21 anos. Este estudante da Universidade do Algarve (UAlg) está há cinco semanas fechado em casa, de quarentena, com dois colegas na cidade italiana de Monda, a cerca de 20 quilómetros de Milão, no Norte de Itália.

Miguel integra, desde o início de janeiro, junto com Maria Inês, de 22 anos, e Diogo Cordeiro, de 21 anos, também alunos da UAlg, o programa Erasmus, em Itália. Frequentam o curso de Imagem Médica e Radioterapia. O jovem de Quarteira está nos grupos de risco devido à asma e já não tem receitas médicas, numa altura em que os hospitais italianos estão à beira da rutura. Divide um apartamento em Monda e pagam uma renda mensal de 500 euros. "Estamos a ficar sem dinheiro para alimentação e para a renda mensal", referiu ao CM Miguel Reis.

Os três estudantes estão a tentar regressar a Portugal desde o final de fevereiro, mas todos os voos foram cancelados. Contactaram há quase um mês a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas e o Gabinete de Emergência Consular, mas até ao momento não foi encontrada nenhuma solução. Na semana passada compraram voos de regresso mas o aeroporto de Milão estava encerrado. "Estamos em risco e sentimos que fomos abandonados em Itália. E se nos acontece alguma coisa quem se responsabiliza?", questiona. Após uma semana de silêncio, foram contactados pelas autoridades para agendar novo voo, cuja data ainda desconhecem.

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Estudantes da Universidade do Algarve estão a fazer Erasmus 

 

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