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Correio da Manhã

Sociedade

Psicóloga alerta: "Para os idosos ficar em casa é complexo"

Vera de Melo, psicóloga clínica, sublinha que não gostam de ser mandados e de não ter ocupação.
Vanessa Fidalgo 24 de Março de 2020 às 08:55
Vera de Melo, psicóloga clínica
Vera de Melo, psicóloga clínica FOTO: Direitos Reservados

Vera de Melo, psicóloga clínica, explica que não adianta meter medo aos mais idosos. Comunicar, apelando sobretudo ao papel que têm na família, é fundamental.

CM - Como passar a mensagem aos mais idosos de que  é preciso ficar em casa?
Vera de Melo - Para os idosos ficar em casa é algo complexo, é retirar-lhes vida. A ida ao café, ao pão, a partida de cartas, as conversas com os amigos dão propósito e motivo para existirem. Desvalorizam o vírus e insistem que não há mal nenhum em ir só um bocadinho ao pão ou ao supermercado. Não gostam de ser mandados, têm muita dificuldade em mudar as rotinas de anos. A mensagem a passar tem de ser muito objetiva,  focada e acima de tudo com muita paciência. Sugiro que  se fale na importância que têm na vida, os ensinamentos que ainda têm que dar aos netos, aquilo que ainda têm para viver. Não adianta meter-lhes medo… a maioria não tem.  A idade dá-lhes segurança.  É melhor falar do nosso medo e de precisarmos que eles estejam bem. Colocarmo-nos no lugar deles ajuda-nos a pensar como eles.

- Como podemos ajudar?
- As comunicações são fundamentais. E ouvir um pedido de ajuda ainda melhor. Se precisarmos de uma receita, de um conselho, é boa ideia ligar a pedir, estamos a conferir-lhes sentimento de utilidade. É importante criar-lhes algumas tarefas. Quando ocupadas as pessoas não têm pensamentos saudosistas.

- Teme que este grupo se sinta mais isolado?
- Pode ser um risco, mas tenho uma visão otimista da realidade. Acredito que as pessoas sabem quando pedir ajuda. Famílias e organizações estão focadas nos grupos de risco e em ajudá-los.

O MEU CASO
Mário Monteiro está retido na ilha Guadalupe
"Ajudem-nos a sair daqui"   
Mário Monteiro, de 55 anos, natural de Estarreja, distrito de Aveiro, é um dos 56 portugueses que estão retidos na ilha de Guadalupe, nas Caraíbas, a aguardar o repatriamento para Portugal. Operários de uma empresa de metalomecânica da zona da Bairrada, tinham viagem marcada de regresso para ontem mas tudo foi cancelado à última hora. Estão em quarentena, muito apreensivos e com medo até porque o novo coronavírus está a alastrar a grande velocidade naquela ilha do Pacífico sob jurisdição de França.

"Os nossos familiares encontram-se desesperados. Aqui estamos em pânico, queremos voltar a Portugal o mais rápido possível já que estamos numa ilha e o vírus pode alastrar-se rapidamente. Sabemos que a situação se está a agravar, não sabemos se já temos o vírus. Podemos já estar doentes e não sabemos. Temos conhecimento de que vai um avião ao Peru buscar portugueses, seria possível passar na ilha? Ou enviar um avião militar aqui? Peço em nome  de todos os meus companheiros ao governo português com caráter de urgência, ao senhor Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e ao senhor PM, António Costa, que nos ajudem", diz ao CM Mário Marques, salientando que já estabeleceram contacto com o Ministério dos Negócios Estrangeiros e com o consulado português em Paris e Luxemburgo, mas que ninguém lhes dá solução. "Tínhamos viagem de avião marcada para esta segunda-feira rumo ao aeroporto de Orly (Paris) mas à última hora foi cancelada. "Ajudem-nos a sair daqui", suplica Mário Monteiro.

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