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Correio da Manhã

Sociedade
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Ramiro Sequeira assume presidência executiva da TAP na quinta-feira

Estado português detém agora uma participação social de 72,5% na companhia.
Lusa 16 de Setembro de 2020 às 20:32
O novo presidente executivo da TAP, Ramiro Sequeira, inicia funções na quinta-feira, substituindo Antonoaldo Neves no cargo que ocupava desde 2018, segundo um comunicado hoje enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

"A TAP, Transportes Aéreos Portugueses, SGPS, S.A. ('TAP SGPS'), na qualidade de acionista única da TAP, designou, na presente data, o senhor Dr. Ramiro José Oliveira Sequeira para o cargo de vogal do Conselho de Administração da TAP, para o período remanescente do mandato em curso (triénio 2018-2020), com efeitos a partir do dia 17 de setembro de 2020, sendo que este assumirá também as funções de presidente da Comissão Executiva e de administrador responsável da TAP, a partir de amanhã [quinta-feira]", lê-se no comunicado ao mercado.

Assim, a renúncia apresentada pelo CEO cessante produz efeitos a partir de hoje, tendo Antonoaldo Neves igualmente renunciado aos "demais cargos por si assumidos na estrutura diretiva das restantes entidades que compõem o Grupo TAP", esclarece o comunicado.

Numa comunicação aos colaboradores, para anunciar formalmente as alterações à estrutura de gestão da TAP, o Conselho de Administração deixou hoje "uma nota de agradecimento a Antonoaldo Neves por toda a experiência, colaboração e trabalho realizado na TAP".

A administração deixa também um "firme acolhimento" a Ramiro Sequeira, sublinhando os 13 anos de experiência do novo CEO na indústria da aviação, que era, desde 2018, o diretor de operações da transportadora portuguesa, passando a acumular os dois cargos.

O Conselho de Administração refere ainda que "a principal missão da equipa de gestão é garantir a retoma operacional de modo seguro e sustentável, bem como viabilizar o plano de reestruturação da TAP junto do Estado português, da Comissão Europeia e de todas as partes interessadas, em estreita articulação e colaboração com o Conselho de Administração, 'owner' do processo, e com o 'Steering Committee' do projeto".

O presidente executivo da TAP cessante, Antonoaldo Neves, afirmou hoje que "há sempre espaço para fazer mais e melhor", adiantando que deixa a companhia aérea "com sentimento de missão cumprida", numa carta a que a Lusa teve acesso dirigida à "família TAP".

Antonoaldo Neves agradece ao Conselho de Administração "pelo seu engajamento e vontade de contribuir com a TAP", deixa "uma palavra especial de gratidão ao David Neeleman e ao Humberto Pedrosa, pela oportunidade de viver este desafio", a Fernando Pinto, que, com imensa bondade, o integrou na família TAP, aos colegas da Comissão Executiva, "profissionais de grande valor, e do C Level" e ainda aos portugueses, em geral, que "tão bem" o acolheram bem como à família.

Antonoaldo Neves deixa a TAP na sequência do acordo entre o Governo e os acionistas privados para a reorganização do quadro societário da TAP - com a saída de David Neeleman - e será temporariamente substituído por Ramiro Sequeira.

Na carta, o presidente executivo que liderou a TAP desde janeiro de 2018, sucedendo a Fernando Pinto, deixa ainda "uma palavra de apreço e encorajamento ao Ramiro, que saberá dar o seu melhor para motivar e criar as condições para que todos possam contribuir para ultrapassar este desafio e dar um novo futuro à nossa TAP".

Sobre a sua saída, anunciada pelo Governo em julho, Antonoaldo Neves considera que "são movimentos normais no mundo empresarial".

Em relação à TAP, que terá que enfrentar um processo de reestruturação, Antonoaldo Neves defende que o desafio que "tem pela frente é enorme", manifestando "esperança de que um novo ciclo se iniciará, beneficiando de tudo de bom que advém de 75 anos de história e do calibre que esta equipa tem para enfrentar e ultrapassar desafios sem tamanho".

Antonoaldo Neves aproveita para recordar "muitas vitórias" alcançadas "nos últimos anos", enumerando a renovação da frota, novos destinos, a duplicação da satisfação do cliente, a reestruturação da ME (Manutenção e Engenharia) Brasil, financiamento nos mercados financeiros internacionais, a reestruturação da dívida, "diminuindo significativamente o seu peso e aumentando a sua maturidade".

"Contratámos mais de 2.000 pessoas e assegurámos a paz social, não houve greves na TAP desde a privatização. Passámos de 10,6 milhões de passageiros para 17,1 milhões, 80% dos quais são estrangeiros e, em 2019, fomos escolhidos como a melhor empresa para trabalhar em Portugal", acrescentou.

Em 02 julho, quando anunciou o acordo com os acionistas privados para o Estado ficar com 72,5% do capital -- e a saída de David Neeleman --, Pedro Nuno Santos tinha dito que Antonoaldo Neves seria substituído "de imediato".

O Estado português detém agora uma participação social de 72,5%, o empresário Humberto Pedrosa 22,5% e os trabalhadores os restantes 5% do grupo.

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