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Correio da Manhã

Sociedade
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Regresso às aulas com alunos a começar o ano sem livros

Associações de pais denunciam falhas na operacionalização da entrega gratuita de livros.
Bernardo Esteves 9 de Setembro de 2019 às 01:30
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Associações de pais denunciam falhas na operacionalização da entrega gratuita de livros.

Pelas reclamações que os pais nos fazem chegar, algo não funcionou bem e ainda há alunos sem manuais e outros que receberam livros do 1º ciclo sem condições", disse ao CM Jorge Ascenção, presidente da Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap).

No agrupamento Alexandre Herculano, no Porto, centenas de estudantes vão começar o ano sem livros, devido a problemas na comunicação com a Plataforma Mega. "O problema só recentemente ficou resolvido e agora as livrarias precisam de tempo para todas as encomendas", disse ao CM Pedro Monforte, encarregado de educação. Na Escola Secundária Stuart Carvalhais, em Massamá, Sintra, há também um problema que atrasou a entrega dos livros dos 10º, 11º e 12º anos.

Jorge Ascenção admite que "a grande maioria dos alunos já terá os manuais", mas diz ser "de lamentar todos os que ainda possam não ter, porque gera desvantagem entre alunos".

As escolas têm de iniciar o ano letivo esta semana, entre amanhã e sexta-feira, segundo o despacho do Ministério da Educação que fixou o calendário escolar. Mas na maioria delas só na próxima semana haverá aulas. "O grosso das escolas fazem as receções aos alunos no dia 13 e começam as aulas no dia 16", revelou ao CM Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (Andaep). O responsável diz esperar "um arranque de ano positivo", mas admite haver "uma nuvem negra a pairar sobre as escolas, que é a luta dos sindicatos de professores, a qual quase levou à demissão do Governo".

Filinto Lima considera "positivo os professores terem sido colocados mais cedo, porque assim tiveram tempo para preparar a vida". Quanto aos manuais, o diretor fala em problemas "pontuais". "Não vejo drama em não terem livros nos primeiros dias. Terão os livros em tempo útil", afirmou.

Pais contra retirada de amianto durante o período de aulas
A Confederação Nacional de Associações de Pais garante que "dezenas de escolas espalhadas pelo País vão entrar em obras para retirada de amianto", criticando o momento escolhido.

"Isto deveria ter sido feito nas férias para não haver riscos para a comunidade escolar", afirmou Jorge Ascenção, notando ainda que "o barulho"perturba as atividades escolares. "Espero que haja o máximo cuidado", disse.

Auxiliares ainda por confirmar já estavam nas escolas
O concurso para recrutamento dos 1067 funcionários anunciados pelo Governo em fevereiro ainda não está concluído. Filinto Lima, da Andaep, acredita que o processo ficará terminado ainda em setembro, mas nota que não haverá grande aumento de auxiliares colocados.

"Muitos são funcionários que já estavam nas escolas e aproveitaram este concurso para fazer contrato sem termo. O próximo governo terá de contratar mais", disse o dirigente.

PORMENORES
Gerir 50% do currículo
Este ano letivo haverá 50 escolas que vão gerir mais de metade do currículo, criando, por exemplo, novas disciplinas. "A flexibilidade curricular é importantíssima para alterar o paradigma de ensino", defendeu Jorge Ascenção, da Confap.

Direito a levar filhos
Os funcionários públicos vão poder faltar um máximo de três horas para acompanhar filhos com idades até aos 12 anos no primeiro dia de escola. O decreto-lei do Governo, que entrou em vigor a 1 de agosto, não se aplica ao setor privado.

Três semanas de férias
Este ano letivo, as férias de Natal têm praticamente três semanas. O regresso às aulas costuma ser a 3 de janeiro, mas como calha a uma sexta-feira, desta vez o reinício é só no dia 6.

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