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Correio da Manhã

Sociedade
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Restaurantes da baixa lisboeta reabrem com adaptações e incerteza quanto ao futuro

Estabelecimentos fazem o que podem para que os locais se sintam seguros de que todas as normas da Direção-Geral da Saúde.
Lusa 18 de Maio de 2020 às 18:47
A Gina, na Baixa de Lisboa
A Gina, na Baixa de Lisboa FOTO: Mariline Alves
A maior parte dos restaurantes e esplanadas da baixa lisboeta reabriu hoje, depois de esforço e investimento para garantir o cumprimento das regras de higiene, mas o sentimento geral é de incerteza quanto ao futuro.

Não fosse a ausência de turistas na zona do Chiado, em Lisboa, e quase dava para esquecer a pandemia de covid-19, com o aproximar da hora de almoço e o bom tempo a convidar a sentar numa esplanada.

À falta de estrangeiros de visita, os restaurantes que reabriram hoje ao público nesta zona da capital fazem o que podem para que os locais se sintam seguros de que todas as normas da Direção-Geral da Saúde (DGS) estão a ser escrupulosamente cumpridas.

Estações de desinfeção com álcool, ementas digitais e um 'software' para fazer o pedido da refeição sem necessidade de o funcionário se deslocar à mesa são algumas das soluções adotadas pelo restaurante The Green Affair, no Chiado, para a reabertura da atividade.

"Ainda é muito cedo para dizer, ainda há aqui uma grande incerteza quanto ao que vai acontecer. Nós estamos preparados para receber as pessoas em segurança, temos uma série de protocolos em rotinas, uma data de estações de desinfeção e o distanciamento", disse o responsável pela marca, Henrique Costa Pereira, à Lusa??????.

O restaurante reabriu hoje ao público, depois de ter estado a funcionar apenas em regime de entregas ao domicílio, nas últimas semanas.

Segundo o responsável, os funcionários fizeram várias formações 'online', para se prepararem para atender clientes em tempos de covid-19.

"Está a começar devagarinho. Eu acho que as coisas não vão voltar a ser como eram antes, vão ser diferentes. Vamos ver, a retoma acho que será relativamente lenta", admitiu Henrique Costa Pereira.

Munida da sua máscara e sem qualquer receio, Sofia Figueiredo entrou, sentou-se e pediu o seu almoço.

"Acho que é importante voltarmos à normalidade, quer por nós, mas também pelo comércio e os restaurantes, porque há aqui muitos empregos que estão em causa, se nós não retomarmos a normalidade dentro do possível, portanto não tenho de facto nenhum receio", disse a primeira cliente do dia daquele espaço à Lusa??????, admitindo já sentir "muitas saudades" de ir a um restaurante.

Quanto às normas a seguir, como o uso da máscara ou a desinfeção frequente das mãos, Sofia Figueiredo considerou que, apesar de estranho, é apenas uma questão de hábito.

"É como tudo, é uma questão de hábito, é como usar cinto de segurança no automóvel, ou, fazendo uma analogia com o HIV, é como usar preservativo nas relações sexuais, é basicamente a mesma coisa, pronto, custa um bocadinho no início, mas temos de nos habituar", defendeu.

Também o emblemático café A Brasileira reabriu hoje as portas ao público, com uma esplanada reduzida, para manter a regra de distanciamento entre mesas.

"Está a correr bem, uma reabertura aos poucos, mas estamos a ter pessoas", disse a diretora de marketing do grupo, Sónia Felgueiras, à Lusa??????.

O espaço sofreu algumas adaptações, para que se consigam cumprir as diretrizes da DGS, explicou a responsável.

"Estamos perfeitamente tranquilos, nós queremos que as pessoas se sintam, sobretudo, seguras", acrescentou.

À medida que a equipa de reportagem da Lusa percorre a Rua Augusta em direção ao rio Tejo, outrora um local repleto de turistas e onde encontrar um lugar numa das imensas esplanadas disponíveis era um desafio, começam a escassear estes espaços e os poucos que reabriram estão quase todos desertos.

"Nós aqui somos um ponto de turismo. A nossa realidade a partir de agora vai ser diferente", admitiu o gerente do restaurante Néné, Pedro Marques.

Apesar da despesa avultada que diz ter com um restaurante aberto naquela localização, Pedro Marques decidiu reabrir hoje e mantém o espírito positivo, apesar de ter a esplanada vazia.

"Montámos a esplanada, temos todas as condições. Agora é uma questão de adaptação e de nova realidade", afirmou.

"É no meio das dificuldades que a aprendizagem cresce. [...] As coisas não vão voltar a ser como eram, isso é ponto assente, mas têm que se reinventar", acrescentou.

Portugal entrou no dia 03 de maio em situação de calamidade devido à pandemia, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de março.

Esta nova fase de combate à covid-19 prevê o confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância ativa, o dever geral de recolhimento domiciliário e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.

O Governo aprovou na sexta-feira novas medidas que entram hoje em vigor, entre as quais a retoma das visitas aos utentes dos lares de idosos, a reabertura das creches, aulas presenciais para os 11.º e 12.º anos e a reabertura de algumas lojas de rua, cafés, restaurantes, museus, monumentos e palácios.

 

MPE // MSF 

Lusa/Fim

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