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Correio da Manhã

Sociedade
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Saiba como entreter as crianças durante o isolamento

Aproveite para cozinhar com os seus filhos e recupere os jogos de tabuleiro.
Miguel Balança 16 de Março de 2020 às 08:42
Família
Família FOTO: IStockPhoto

Utilize tudo o que tem à mão para os manter entretidos. E afastados dos ecrãs. Aproveite o período de isolamento social e o abrandamento do ritmo de trabalho para dedicar aos mais novos o tempo que lhes é devido. Não deixe que se refugiem numa consola de jogos ou no computador mais do que uma hora por dia de isolamento. Dê-lhes atenção e recupere os clássicos - jogos, livros e histórias - que marcaram a sua infância.

Procure manter uma rotina durante o isolamento. O plano conjunto, de pais e filhos, não deve pôr de parte os cuidados de higiene acrescidos - pode até contabilizá-los - e deve estabelecer horários fixos para as refeições, "incluindo momentos de aprendizagem/escola e tempo para brincar e relaxar em segurança", nota a Ordem dos Psicólogos (OP). Faça da cozinha um laboratório para pequenas experiências científicas. E meta-os a cozinhar - sempre supervisionados. E tenha em mente: "As crianças precisam do amor e da atenção dos adultos durante períodos difíceis. Dê-lhes mais tempo e atenção", sublinha a OP.

Viaje pela Europa e visite os principais museus virtualmente
Faça planos de futuro. Mostre às crianças as principais capitais europeias percorrendo galerias de imagens (de viagens antigas, por exemplo) ou através da internet. Um conjunto de museus, como o Prado, em Madrid (Espanha), e o Louvre, em Paris (França), têm as coleções disponíveis para visita online e gratuita.

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, alerta para o papel dos pais na vigilância do ensino à distância, diz que ainda é cedo para antecipar os efeitos desta pandemia no 3º período, mas frisa que "temos de nos preparar para o pior".

Filinto Lima

Presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas
CM
– Que tipo de ensino vai ser implementado?
Filinto Lima – Vamos usar as novas tecnologias, privilegiando o contacto via email. O professor envia os exercícios e os alunos devolvem as respostas, pela mesma via, para que sejam corrigidos. Este é um momento mau - isso é claro - mas é uma oportunidade para passar a dar mais uso às várias plataformas que temos ao dispor.

– Todas as escolas vão optar por este método, via email?
- De acordo com o seu contexto, cada escola vai usar este ou outros métodos. Globalmente vão optar pelo que referi. Mas uma coisa é certa: os alunos não estão de férias. Tal como os professores. São quinze dias de aprendizagem diferente do normal.

– Os alunos têm todos acesso a este tipo de tecnologia?
- Alguns não têm e nós estamos atentos a isso. É um dever das escolas e das autarquias que essa situação seja corrigida. E vamos sensibilizar o Ministério da Educação e os autarcas nesse sentido: para que dotem os alunos dessas tecnologias, para que trabalhem connosco.

- Qual é o papel dos pais?
- É importante no ensino à distância que os pais estejam atentos. Devem criar um horário de trabalho para os filhos, por exemplo.

- Que consequências terá no acesso ao ensino superior?
- Ainda é cedo para falarmos no 3º período. Mas nesse aspeto, temos de nos preparar para o pior.

Carlota Sousa Reis, estudante na Holanda
"Os cuidados não são tantos"
Carlota Sousa Reis, estudante universitária portuguesa, regressou ontem do norte da Holanda, onde estava em isolamento social. Não tem qualquer sintoma de infeção pelo novo coronavírus, mas não esconde o medo. "As pessoas não estão muito preocupadas. [Na Holanda] os cuidados não são tantos", contou à CMTV por videochamada. A universidade em que estuda fechou na sexta-feira - e assim se vai manter, pelo menos, até 10 de abril. "Acho que vou cair na realidade, daquilo que é
o vírus, quando chegar a Portugal", comentou, antes do regresso.

"Falam sobre tomar medidas, mas os supermercados estão cheios. E não há quase nada nas prateleiras. As pessoas vão à rua e não há um controlo tão grande quanto em Portugal. A maior parte dos meus colegas não está preocupada", acrescentou. Carlota Reis vive numa cidade universitária em que já foram detetados três casos positivos de Covid-19. Trata-se de pessoas mais velhas, tidas como grupo de maior risco. A estudante universitária portuguesa defende que, por cá, as autoridades de saúde estão mais ativas no combate à doença.

Na Holanda, revela, os efeitos da propagação da doença notam-se de forma mais clara e evidente. Já existem mais de mil casos de Covid-19 identificados e duas dezenas de mortos naquele país. A corrida aos supermercados estende-se às farmácias. "Aqui já não há sabonetes , desinfetantes e máscaras. Mas também nunca vi ninguém a utilizá-las", sublinha Carlota Reis, que não acredita no regresso à Holanda em breve.

Portugal Filinto Lima Carlota Sousa Reis Covid-19 Holanda questões sociais política educação
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