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Correio da Manhã

Sociedade
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Inquérito do IGAS conclui que unidades de saúde falharam na gestão do surto no lar de Reguengos de Monsaraz

Surto na instituição provocou 18 mortes por Covid-19 no verão de 2020.
Ana Maria Ribeiro 8 de Março de 2021 às 20:17
Lar Reguengos de Monsaraz
Lar Reguengos de Monsaraz FOTO: CMTV
O Instituto da Segurança Social concluiu o processo de fiscalização à Fundação Maria Inácio Vogado Perdigão Silva, em Reguengos de Monsaraz, e decidiu multar a instituição por "deficientes condições de higiene e segurança" e pela "inexistência de pessoal com categoria profissional e afetação adequada às atividades desenvolvidas".

Em junho do ano passado, este lar do distrito de Évora viu-se a braços com um surto de Covid-19 que provocou 162 casos de infecção que afetou 80 utentes e 26 profissionais da instituição, mas também 56 pessoas da comunidade.

Do surto resultou a morte de 18 pessoas: 16 utentes, uma funcionária e um homem da comunidade, situação que levou à abertura de vários inquéritos, entre os quais um da Inspeção-Geral do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, solicitado pelo Governo, e cujo resultado deverá ser conhecido nas próximas semanas.

Um outro inquérito, este da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS), acabou por concluir ainda, esta segunda-feira, que as unidades de saúde falharam na gestão do surto deste lar. Em junho, chegou a dizer-se que os médicos de família se teriam recusado a tratar dos doentes Covid-19 no lar - informação que o inquérito confirma.

Em agosto, a Ministra da Saúde, Marta Temido, ordenou à IGAS a realização de um inquérito para apurar os factos, e concluiu que, de facto, as Unidades Locais de Saúde do Norte Alentejano, do Litoral Alentejano e do Baixo Alentejo "não garantiram o cumprimento do determinado, passando a não assegurar a presença física do seu médico na área de medicina interna, situação que comprometeu a gestão do surto".

Os médicos terão invocado questões de ilegalidade para não fazerem as visitas, a partir de "instruções recebidas quer da Ordem dos Médicos, quer do SIM (Sindicato Independente dos Médicos)". No entanto, o inquérito da IGAS "conclui que as determinações de deslocação de profissionais de saúde ao lar e ao alojamento sanitário não padeceram de nenhuma ilegalidade ou outro vício jurídico", mas teriam "enquadramento legal num despacho publicado em abril de 2020".
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