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Correio da Manhã

Sociedade
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Trabalhadores das lavandarias, resíduos e alimentação dos Hospitais querem aumento de 90 euros

Moção realça que trabalhadores foram confrontados com "falta de equipamentos de proteção individual e coletiva e, até hoje, falta de testes de despistagem da covid-19".
Lusa 4 de Agosto de 2020 às 18:38
Hospitais
Hospitais FOTO: Direitos Reservados
Os trabalhadores do Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH) da região Centro entregaram estta terça-feira uma moção na Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC) em que reivindicam aumentos salariais de 90 euros e subsídio de risco.

"Como a ARSC é acionista do SUCH, juntamente com os Conselhos de Administração dos Hospitais Públicos, realizámos hoje uma ação de protesto à porta daquele organismo para que ajude a influenciar a posição da empresa", explicou à agência Lusa o dirigente sindical António Baião.

Segundo o sindicalista, tratou-se de um protesto promovido pelo Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Hoteleira, Turismo, Restaurantes e Similares do Centro devido à ausência de respostas que melhorem as condições de trabalho e para exigir que os trabalhadores sejam tratados como profissionais importantes para o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

De acordo com a moção, a que a agência Lusa teve acesso, os trabalhadores do SUCH são equiparados aos da saúde "para cumprimento de deveres, mas não são equiparados para beneficiar de direitos", como é o caso da compensação suplementar que vai ser paga aos funcionários públicos do SNS.

"Os trabalhadores do SUCH estiveram na primeira linha nesta fase de pandemia ao assegurarem a alimentação aos médicos, enfermeiros, demais funcionários hospitalares e doentes, incluindo as vítimas da covid-19, bem como ao assegurarem outros serviços de apoio designadamente de lavandaria, manutenção, resíduos hospitalares e limpeza", refere o documento.

A moção sublinha que os "trabalhadores do SUCH continuam a ser confrontadas com regimes de escala de 12 horas diárias depois do período mais intenso da pandemia, adiamento das férias, recusa de dispensa ao trabalho para assistência aos filhos, falta de pessoal e ritmos de trabalho intensos".

Realça ainda que, numa primeira fase, os trabalhadores foram confrontados com "falta de equipamentos de proteção individual e coletiva e, até hoje, falta de testes de despistagem da covid-19".

Além do aumento salarial, os trabalhadores do SUCH reclamam uma redução do horário de trabalho para as 35 horas semanais, pagamento do subsídio de risco de 7%, pagamento de mais um euro por hora em trabalho prestado ao sábado e domingo e atualização do subsídio de refeição para 5,10 euros.

Exigem ainda a criação de um regime de diuturnidades, a vencer de quatro em quatro anos, no valor de 20 euros cada, atribuição de uma compensação extraordinária para os que também estiveram na linha da frente contra a pandemia, criação de um complemento de doença e de acidente de trabalho, realização de testes de despistagem da covid-19, reforço do quadro de pessoal, contra os ritmos intensos de trabalho, por melhores condições de vida e de trabalho.

Na região Centro, o SUCH emprega cerca de 2.000 trabalhadores nas áreas das lavandarias, resíduos e alimentação, que, segundo o sindicato, auferem salários "muito baixos", em que "mais de 90% recebem apenas o Salário Mínimo Nacional".

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